“A mulher era considerada um objecto cuja missão era procriar e exercer, por delegação do marido, poderes sobre a progenitura e sobre os escravos domésticos.”
(José Pacheco, 1998)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
O Casamento
“Na velha moral romana (século I A.C.) o casamento era prioritariamente encarado como uma instituição que servia o prazer sexual.”
(José Pacheco, 1998)
(José Pacheco, 1998)
Amor Passional
“O Amor passional é um estado de desejo intenso de união com o outro.”
(Alferes,1997)
(Alferes,1997)
Intensidade do Amor
“Amor... é o mais completo e articulado dos sentimentos humanos, que se exprime em múltiplas formas e graus de intensidade, e compõe-se de toda uma gama de emoções [...] É uma aptidão, uma faculdade que cada indivíduo dispõe, e que assume formas diversas no decurso da existência.”
(Slepoj, 1993)
(Slepoj, 1993)
Hipervalorização do Sexo
“ A hipervalorização do sexo pode tornar-se um jogo perigoso e que pode propiciar o efeito oposto ao que, supostamente, é desejado.”
(José Pacheco, 1998)
(José Pacheco, 1998)
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO: Iniciativa e Relações Interpessoais/Sociais entre crianças

O aprofundamento das teorias e sistemas conceptuais implícitas no tema Iniciativa e Relações Interpessoais e Sociais entre crianças, assim como o estudo personalizado de três importantes faixas etárias que se coadunam com as três primeiras infâncias -Desenvolvimento Social da Criança entre os 0 e os 3 anos; Iniciativa e Relações Interpessoais entre Crianças dos 3 aos 5 anos; Iniciativa e Relações Interpessoais entre Crianças dos 5 aos 7 anos - afiguram-se como um tema complexo, vasto e abrangente, susceptível de múltiplas abordagens (perspectiva biológica, cognitiva, sociológica e psicológica).
Numa perspectiva sociológica, podemos inferir a evolução da criança na sua relação com os outros, não esquecendo o desenvolvimento das suas competências emocionais, linguísticas, afectivas e de raciocínio, demarcadas muitas vezes nas suas brincadeiras. O desenvolvimento destas competências determinam firmemente o seu sucesso ou insucesso escolar. As capacidades mais vinculadas nestas crianças coadunam-se com a tomada de iniciativa, onde estão patentes acções de intencionalidade, desejo de amizade e a resolução dos conflitos entre o “eu” e o “nós”, despoletando por si uma atroz competência social. Ainda a este nível social surge a relação entre pares, sendo que os mesmos imperam por ser os mais importantes agentes socializadores. Os contextos onde se encontram implementados os modelos dos primeiros níveis de educação de infância tornaram-se os principais contextos onde as crianças se interrelacionam.
Numa perspectiva biológica, não poderemos esquecer que o desenvolvimento cognitivo e neurológico adequado é essencial à estabilidade socio-emocional da criança. Na primeira infância, os recém-nascidos expressavam a excitação geral como único estado emocional. As suas capacidades emocionais permitem-lhes um mais largo “espectro de acção” sobre os adultos, possibilitando à criança chamar e manter a atenção dos pais (agentes de socialização primários). Estes recém-nascidos revelam trejeitos musculares, principalmente do rosto. O sorriso e o choro são as expressões faciais mais usadas. Nos lactentes o choro é um reflexo que resulta de uma resposta normal e involuntária a um estímulo. O sorriso é dos aspectos mais importantes do desenvolvimento emocional e social, (nos primeiros seis meses de vida da criança) reforçando a vinculação aos pais, desenvolvendo-se por meio de uma série de mudanças maturacionais.
Numa perspectiva psicológica, torna-se importante salientar que na segunda infância as crianças passam a ter uma nova visão do mundo social que as rodeia. A auto-consciência começa a fazer parte do seu Ego. Conforme o modo como as crianças assimilaram e acomodaram as informações provenientes de experiências anteriores, algumas tendem a ver-se a si próprias como activas, independentes e persistentes. Por outro lado, estas mudanças também podem conduzir a uma visão negativa delas próprias (incerteza, fracasso).
Numa perspectiva cognitiva, a criança após a sua inserção na escola (na terceira infância), começa a progredir ao nível da resolução de problemas de lógica, adquirindo, também fluência e flexibilidade verbal, admitindo o uso de posições e/ou frases pragmáticas. A aprendizagem começa a ser direccionada a todas as dificuldades de enquadramento teórico-prático ao nível de crianças retardadas e sobredotadas. A criatividade é uma das capacidades desenvolvidas ao longo da aprendizagem escolar e a inteligência é muitas vezes avaliada pelos professores dos primeiros anos escolares.
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
CONSULTA PSICOLÓGICA - Recensão Critica

Feltham, C. & Horton, I. (Eds.) (2004). Handbook of counselling and psychotherapy. London: Sage - pp.448, 452
Paul Gilbert considera que um diagnóstico e tratamento adequado são essenciais para quem sofre de depressão. Esta última envolve diferentes sintomatologias, processos biológicos e psicológicos. Por razões psicossociais as mulheres são um grupo mais susceptível à depressão e em geral uma em cada cinco pessoas já apresentaram sintomas depressivos ao longo da vida. Quando existe um episódio depressivo há uma probabilidade do mesmo se repetir, e essa incidência ainda é maior em famílias desajustadas afectivamente. As depressões são muito heterogéneas resultando de uma multiplicidade de factores, incluindo vulnerabilidade biológica, experiências passadas na infância, problemas actuais num relacionamento e dificuldades de vida.
Beck sugere que a experiência interna de uma pessoa depressiva envolve uma tríade cognitiva negativa com sentimentos de vazio, tristeza, culpabilidade, incapacidade, apatia, pessimismo e negativismo sobre o próprio, o mundo e o futuro. A agressividade e a impossibilidade de escapar a uma situação difícil estão também associadas à depressão. Pacientes depressivos apresentam problemas interpessoais, sendo submissos aos conflitos.
No que se refere ao diagnóstico desta patologia, o psicoterapeuta deve proceder à formulação de várias questões que permitam saber como o paciente se apresenta a nível biológico, emocional, motivacional, cognitivo, ideacional e comportamental.
Paul Gilbert defende que subsistem emoções difíceis de avaliar tais como a agressividade, a ansiedade e a vergonha, e nesse caso o paciente necessita de ser consultado por um especialista em psiquiatria.
Alguns deprimidos recorrem aos anti-depressivos indicados para os distúrbios do sono, sintomas psicossomáticos, problemas de concentração e sentimentos de desânimo. O autor sugere que devemos indicar um psicoterapeuta aos indivíduos que manifestam esta sintomatologia e principalmente àqueles que apresentam ideias de suicídio. A depressão denota-se quando o paciente constrói ideias negativas sobre o que o rodeia, pensando e agindo de forma irracional. O autor defende que o psicoterapeuta não deve mostrar-se indiferente aos problemas dos pacientes mas sim, proceder ao questionamento de outras pessoas que convivem com o paciente.
A intervenção psiquiátrica pressupõe a utilização de medicamentos ao contrário do aconselhamento e da terapia psicológica. Os psicoterapeutas intervêm na depressão em termos da organização psicológica interna, dando especial enfoque aos relacionamentos problemáticos com os demais assim como às experiências passadas na infância. As primeiras sessões terapêuticas focalizam-se no conhecimento do tipo de relações interpessoais que o paciente estabeleceu ao longo da vida, dando especial atenção aos afectos, ao controlo, à negligência, à agressão e à vergonha que o paciente demonstra. Obviamente que as situações de abuso também se tornam relevantes para a avaliação psicológica do paciente.
O passo seguinte na intervenção terapêutica focaliza-se na cognição que o paciente tem de si próprio e dos outros. As pessoas que se vêem como inferiores, problemáticas e inadequadas, muitas vezes precisam de adquirir crenças básicas e elevar a auto-estima. Aqueles que deixaram de confiar nos outros ou foram abusados de alguma forma, encontram dificuldades para estabelecer uma relação aberta e de confiança com o psicoterapeuta. Isto pode ajudar a explorar algumas atitudes do paciente perante a vida. Crenças como “Nunca cometi erros”, “Preciso de ser amada todos os dias” desencadeiam determinados tipos de comportamento, e estes últimos insurgem como os responsáveis pela manutenção da depressão. Por exemplo, pessoas que acreditam que não conseguem viver sozinhas, estabelecem normalmente relações abusivas e de insatisfação. O autor considera que na depressão é extremamente importante adquirir novas formas de lidar com as adversidades, aprendendo a improvisar perante situações angustiantes. De acordo com Paul Gilbert, é importante partilhar a visão do psicoterapeuta com os pacientes, remetendo-os para as experiências passadas, de forma a perceber como os mesmos se vêem a si e aos outros, assim como o que pensam acerca do mundo e o modo como isso afecta o seu comportamento, particularmente nas relações interpessoais geradoras de conflito. Para se verificar uma mudança de comportamentos no paciente, é necessário estabelecer uma forte aliança terapêutica.
Existem vários tipos de intervenção na depressão. O autor prefere o modelo interventivo biopsicossocial, visto que existem distúrbios físicos que pela utilização medicamentosa influenciam psicologicamente o sujeito tal como o hipotirodismo. Muitas pessoas beneficiam dos anti-depressivos, ainda que se saiba que estes não ajudam a entender a origem da depressão nem tão pouco proporcionam a aquisição de estratégias de coping. Apenas as terapias psicológicas e as experiências vividas podem auxiliar o paciente. No que se refere ao nível social, o autor pressupõe que é importante explorar as dificuldades do paciente sejam elas profissionais, legais, etc.
Obviamente que existe uma multiplicidade de terapias psicológicas que podem ser usadas na depressão, e por isso mesmo, é importante focalizarmo-nos em aspectos particulares do paciente para que se possa avaliar qual a mais apropriada. Paul Gilbert afirma que tem por hábito centrar-se nos pontos de vista negativos do self e nos sentimentos de inferioridade inadequados destes indivíduos, para que à posteriori possa indicar-lhes modos eficazes de actuação face às adversidades. Existem inúmeras formas de intervir com estes pacientes, entre elas, a biblioterapia.
Geralmente, os psicoterapeutas ajudam os pacientes a angariar diferentes perspectivas acerca de si próprios evitando a aquisição de uma sensação de pessimismo e de inferioridade. Assim, é essencial obter pensamentos alternativos, testar a eficácia desses mesmos pensamentos e tentar mudar os comportamentos. Frequentemente, os pacientes deprimidos perderam a afectividade e o amor por si próprios, e para dar a devida assistência aos mesmos é necessário desenvolver sentimentos de compaixão e de perdão. Muitas vezes, torna-se pertinente conhecer todas as experiências traumáticas do paciente e se as mesmas se reportam a abusos com os quais o psicoterapeuta não sabe lidar, o mesmo deve encaminhá-lo para outro profissional de saúde.
Em suma, Paul Gilbert evidencia a depressão como um distúrbio complexo. E na minha opinião em concordância com o autor, é perceptível como existem diferentes causas, sintomas e consequências que evidenciam a utilização de várias terapias. A terapia psicológica nem sempre é a mais adequada para dois pacientes que padecem da mesma patologia, por vezes é fundamental recorrer à terapia psiquiátrica. E por isso mesmo, é evidente a clara resolução dos problemas de um deprimido por uma dada via terapêutica e outro por outra via.
Nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
EPISTEMOLOGIA - Em que sentido se pode afirmar que a Ciência Moderna vai trazer um novo modelo epistemológico?
“A ciência moderna conseguiu apenas emergir na efervescência cultural do Renascimento, e desde então associa-se progressivamente à técnica, tornando-se “tecnociência” e introduzindo-se progressivamente no seio das universidades (...), transformando-se e deixando-se transformar (...). A sua realidade é multidimensional. Assim, a ciência é intrínseca, histórica, sociológica e eticamente complexa. É de esperar que as transformações que começaram a fazer ruir a concepção clássica da ciência vão continuar a sofrer uma verdadeira metamorfose” [Morin, 1982] .
O modelo de racionalidade presente na ciência moderna constitui-se a partir da revolução científica do século XVI, tendo conhecido um abrupto desenvolvimento no domínio das ciências naturais. Este modelo global de racionalidade científica admite uma variedade interna que se distingue de duas formas do conhecimento não científico: o senso comum e os estudos humanísticos.
A nova racionalidade científica é um modelo totalitário que nega o carácter racional ao conhecimento não epistemológico. Esta característica simboliza a ruptura do novo paradigma científico com os que o precederam. O exemplo deste novo modelo de racionalidade apresenta-se na teoria heliocêntrica do movimento dos planetas de Copérnico, nas leis de Kepler sobre as órbitas dos planetas, nas leis de Galileu sobre a queda dos corpos, na grande síntese de ordem cósmica de Newton e na consciência filosófica que lhe conferem Bacon e Descartes.
Ao contrário da ciência aristotélica, a ciência moderna desconfia das evidências da nossa experiência imediata, que estão na base do conhecimento vulgar. A ciência moderna considera total a separação entre a natureza e o ser humano. A Natureza é só extensão e movimento: é passiva, eterna e reversível, mecanismo perante o qual os elementos se dissociam e, posteriormente se interrelacionam sob a forma de leis. A ciência moderna não tem qualquer outra qualidade ou dignidade que nos impeça desvendar os seus mistérios, já que visa conhecer a natureza para a dominar e controlar.
Para Bacon, a ciência fará da pessoa humana o “Senhor e o possuidor da natureza” e na linha de pensamento de Galileu e Einstein, o livro da natureza está inscrito em caracteres geométricos. Nesta medida verifica-se na ciência moderna uma predilecção pela matemática, onde conhecer significa quantificar e o que não é quantificável é significativamente irrelevante. Outra das consequências da centralização da matemática infere-se no método científico, que assenta na redução da complexidade, já que o mundo é complicado e a mente não o pode compreender totalmente. Conhecer significa dividir e classificar de modo a poder determinar relações sistemáticas.
A Natureza teórica do conhecimento científico decorre dos pressupostos epistemológicos e das regras metodológicas que formulam as leis. As leis enquanto categorias de inteligibilidade, repousam num conceito de causalidade predisposto pela física aristotélica. Aristóteles distinguia quatro tipos de causa: material, formal, eficiente e final. As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que privilegia o funcionamento das coisas em detrimento da sua finalidade. Por meio desta via, o conhecimento científico rompe com o conhecimento do senso comum.
No chamado senso comum e no conhecimento prático, a causa e a intenção convivem sem problemas, perante isto, na ciência a determinação da causa formal obtém-se com a expulsão da intenção. Este tipo de causa formal permite prever e intervir no real e, deste modo a ciência moderna soluciona os fundamentos do seu rigor e da sua verdade com o conjunto dos êxitos na transformação do real. Um conhecimento baseado na formulação de leis tem como pressuposto metateórico a ideia de ordem e de estabilidade do mundo, redimindo-se à concepção de que o passado se repete no futuro.
Como foi referido anteriormente, a chamada racionalidade moderna insurge com Galileu e Descartes. Galileu foi considerado o pai da Física Clássica enquanto que Descartes se propunha como pai da Filosofia Moderna. Assim, denota-se que a revolução galilaica está na origem de toda a ciência moderna, já que a mesma impera na própria emancipação da ciência.
Galileu instaurou o intitulado paradigma científico, por outro lado, Descartes aperfeiçou o paradigma mecanicista de alguma forma desvinculado, e não podemos deixar de reconhecer que este racionalista representa o repensamento metafísico de toda a revolução científica que o antecedeu e de que ainda é contemporâneo. No sistema cartesiano impõe-se uma ruptura entre o homem e a natureza, e ao reduzir a natureza à matéria-prima sobre a qual o homem soberano inscreve o sentido histórico do processo de desenvolvimento da ciência moderna, provoca uma ruptura ontológica entre o homem e a natureza, na base da qual se constituem a ruptura entre o sujeito e objecto do conhecimento. Ao introduzir uma ruptura entre o homem e a natureza, o pensamento cartesiano introduz ainda uma outra ruptura dentro do próprio homem.
Na necessidade de regressar ao pensamento de Galileu e Descartes radica uma prioridade em voltar a estudar os pensadores anteriores e os pensamentos a partir dos quais instauram a sua ruptura. O homem Renascentista do século XVI participava em comunhão com a natureza, interpretando-a à sua imagem, a partir de em paradigma animista. Esta suposição não deixa de ser um obstáculo à plena realização do seu domínio, à concretização final do poder que magicamente o atraía e o fascinava. Assim, seria necessário desumanizar a natureza e ao mesmo tempo desnaturalizar o homem e, por conseguinte, tornar-se-ia relutante destruir a noção de cosmos com todas as implicações e substitui-la por uma realidade transparente a uma outra lógica, inteiramente humana (a lógica da razão matemática e quantificadora).
Ao nível da definição das racionalidades, uma das grandes rupturas operadas entre o século XVI e o século XVII, de que Galileu e Descartes são os grandes obreiros, reside na passagem de uma razão estética para uma razão técnica, na passagem de uma percepção do mundo para uma racionalização maquinal do mesmo mundo, do homem e da própria razão.
Os principais representantes da Ciência Renascentista e mecanicista (séculos XVI a XVII) foram Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Descartes, e todos eles comungavam dos mesmos princípios. Assim, recorriam a procedimentos rigorosos, passando da “Theoria” à “Praxis”, tendo a capacidade de percepcionar através dos sentidos. A ciência implica a construção de instrumentos, partindo da chamada instrumentalização da observação, de forma a construir o cenário ou o laboratório para observar a realidade natural. Na ciência Renascentista ou mecanicista demarcam-se o experiencialismo e a quantificação da realidade através de metodologias experimentais, sendo necessário racionalizar e relacionar causas buscando hipóteses explicativas.
Dissertando Edgar Morin, o determinismo mecanicista é o horizonte de uma forma de conhecimento que se pretende utilitário e funcional, reconhecido pela capacidade de o dominar e transformar.
Na panorâmica da ciência, deduz-se que a mesma não é acumulativa, dado que nenhuma época conserva todas as verdades descobertas ao longo da História, produzindo-se, por si só, as revoluções, mudanças bruscas do modelo teórico e da concepção do mundo que se mantiveram durante um determinado período.
As concepções do mundo, anteriormente referidas integram-se nos chamados paradigmas, que incluem teorias metodológicas, técnicas, crenças gerais acerca do mundo e conjunto de problemas científicos. A época dominada por um paradigma é o “Período da Ciência Normal” caracterizado pela confiança absoluta dos cientistas no seu paradigma. Nestas épocas, os cientistas dedicam-se à resolução de problemas rotineiros conforme os ditames da sua teoria.
Segundo Kuhn, não é tanto à lógica que cabe estudar a decisão de escolha de um paradigma, mas mais à psicologia ou à sociologia. A ciência não visa um fim pré-estabelecido e para Kuhn, não tem sentido afirmar que a ciência progride, pois o progresso é visto como uma aproximação contínua à verdade e deste modo, o desenvolvimento da ciência não é teleológico. A negação do progresso como aproximação à verdade levou a que acusassem o pensamento de Kuhn não só de relativismo mas também de irracionalismo.
A palavra “ciência” tem sofrido diversas interpretações ao longo dos séculos. No decurso do tempo, o Homem tem procurado conhecer o inacessível mistério do Mundo e de si mesmo. Cego, indo de encontro das “coisas”, o Homem experimenta e erra; aventura-se e formula hipóteses; abstrai e, lentamente, vai construindo partes que o levam do conhecido para o desconhecido. De descoberta em descoberta, de invenção em invenção, inserido e controlado por todas as circunstâncias, sociais, políticas, éticas e económicas, as estruturas do conhecimento, do saber, vão-se multiplicando e complexificando. A ciência vai-se adaptando e evoluindo numa linha temporal.
As componentes teóricas necessárias à ciência, vão-se construindo. Nesse mundo dualista, “res extensa” e “res cogita”, a ciência vai-se precisando e dividindo, distinguindo-se de outras actividades, pelo reforço da razão, da lógica e da experiência. Assim sendo, introduz-se o método, “claro e evidente”. Através da ciência, o conhecimento vai centrando-se nos fenómenos, “coisifica-se” e admite como único conhecimento o Empírico-Experimental.
O método experimental contém problemas cruciais na sua construção, como sejam o da indução, o da demarcação (cujo critério é o da falsificabilidade), bem como problemas de empirismo, de objectividade científica e de comunicação subjectiva, como diz Popper. O conhecimento científico releva de partes do conhecimento do senso comum, ao qual atribui um método e uma terminologia.
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
O modelo de racionalidade presente na ciência moderna constitui-se a partir da revolução científica do século XVI, tendo conhecido um abrupto desenvolvimento no domínio das ciências naturais. Este modelo global de racionalidade científica admite uma variedade interna que se distingue de duas formas do conhecimento não científico: o senso comum e os estudos humanísticos.
A nova racionalidade científica é um modelo totalitário que nega o carácter racional ao conhecimento não epistemológico. Esta característica simboliza a ruptura do novo paradigma científico com os que o precederam. O exemplo deste novo modelo de racionalidade apresenta-se na teoria heliocêntrica do movimento dos planetas de Copérnico, nas leis de Kepler sobre as órbitas dos planetas, nas leis de Galileu sobre a queda dos corpos, na grande síntese de ordem cósmica de Newton e na consciência filosófica que lhe conferem Bacon e Descartes.
Ao contrário da ciência aristotélica, a ciência moderna desconfia das evidências da nossa experiência imediata, que estão na base do conhecimento vulgar. A ciência moderna considera total a separação entre a natureza e o ser humano. A Natureza é só extensão e movimento: é passiva, eterna e reversível, mecanismo perante o qual os elementos se dissociam e, posteriormente se interrelacionam sob a forma de leis. A ciência moderna não tem qualquer outra qualidade ou dignidade que nos impeça desvendar os seus mistérios, já que visa conhecer a natureza para a dominar e controlar.
Para Bacon, a ciência fará da pessoa humana o “Senhor e o possuidor da natureza” e na linha de pensamento de Galileu e Einstein, o livro da natureza está inscrito em caracteres geométricos. Nesta medida verifica-se na ciência moderna uma predilecção pela matemática, onde conhecer significa quantificar e o que não é quantificável é significativamente irrelevante. Outra das consequências da centralização da matemática infere-se no método científico, que assenta na redução da complexidade, já que o mundo é complicado e a mente não o pode compreender totalmente. Conhecer significa dividir e classificar de modo a poder determinar relações sistemáticas.
A Natureza teórica do conhecimento científico decorre dos pressupostos epistemológicos e das regras metodológicas que formulam as leis. As leis enquanto categorias de inteligibilidade, repousam num conceito de causalidade predisposto pela física aristotélica. Aristóteles distinguia quatro tipos de causa: material, formal, eficiente e final. As leis da ciência moderna são um tipo de causa formal que privilegia o funcionamento das coisas em detrimento da sua finalidade. Por meio desta via, o conhecimento científico rompe com o conhecimento do senso comum.
No chamado senso comum e no conhecimento prático, a causa e a intenção convivem sem problemas, perante isto, na ciência a determinação da causa formal obtém-se com a expulsão da intenção. Este tipo de causa formal permite prever e intervir no real e, deste modo a ciência moderna soluciona os fundamentos do seu rigor e da sua verdade com o conjunto dos êxitos na transformação do real. Um conhecimento baseado na formulação de leis tem como pressuposto metateórico a ideia de ordem e de estabilidade do mundo, redimindo-se à concepção de que o passado se repete no futuro.
Como foi referido anteriormente, a chamada racionalidade moderna insurge com Galileu e Descartes. Galileu foi considerado o pai da Física Clássica enquanto que Descartes se propunha como pai da Filosofia Moderna. Assim, denota-se que a revolução galilaica está na origem de toda a ciência moderna, já que a mesma impera na própria emancipação da ciência.
Galileu instaurou o intitulado paradigma científico, por outro lado, Descartes aperfeiçou o paradigma mecanicista de alguma forma desvinculado, e não podemos deixar de reconhecer que este racionalista representa o repensamento metafísico de toda a revolução científica que o antecedeu e de que ainda é contemporâneo. No sistema cartesiano impõe-se uma ruptura entre o homem e a natureza, e ao reduzir a natureza à matéria-prima sobre a qual o homem soberano inscreve o sentido histórico do processo de desenvolvimento da ciência moderna, provoca uma ruptura ontológica entre o homem e a natureza, na base da qual se constituem a ruptura entre o sujeito e objecto do conhecimento. Ao introduzir uma ruptura entre o homem e a natureza, o pensamento cartesiano introduz ainda uma outra ruptura dentro do próprio homem.
Na necessidade de regressar ao pensamento de Galileu e Descartes radica uma prioridade em voltar a estudar os pensadores anteriores e os pensamentos a partir dos quais instauram a sua ruptura. O homem Renascentista do século XVI participava em comunhão com a natureza, interpretando-a à sua imagem, a partir de em paradigma animista. Esta suposição não deixa de ser um obstáculo à plena realização do seu domínio, à concretização final do poder que magicamente o atraía e o fascinava. Assim, seria necessário desumanizar a natureza e ao mesmo tempo desnaturalizar o homem e, por conseguinte, tornar-se-ia relutante destruir a noção de cosmos com todas as implicações e substitui-la por uma realidade transparente a uma outra lógica, inteiramente humana (a lógica da razão matemática e quantificadora).
Ao nível da definição das racionalidades, uma das grandes rupturas operadas entre o século XVI e o século XVII, de que Galileu e Descartes são os grandes obreiros, reside na passagem de uma razão estética para uma razão técnica, na passagem de uma percepção do mundo para uma racionalização maquinal do mesmo mundo, do homem e da própria razão.
Os principais representantes da Ciência Renascentista e mecanicista (séculos XVI a XVII) foram Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Descartes, e todos eles comungavam dos mesmos princípios. Assim, recorriam a procedimentos rigorosos, passando da “Theoria” à “Praxis”, tendo a capacidade de percepcionar através dos sentidos. A ciência implica a construção de instrumentos, partindo da chamada instrumentalização da observação, de forma a construir o cenário ou o laboratório para observar a realidade natural. Na ciência Renascentista ou mecanicista demarcam-se o experiencialismo e a quantificação da realidade através de metodologias experimentais, sendo necessário racionalizar e relacionar causas buscando hipóteses explicativas.
Dissertando Edgar Morin, o determinismo mecanicista é o horizonte de uma forma de conhecimento que se pretende utilitário e funcional, reconhecido pela capacidade de o dominar e transformar.
Na panorâmica da ciência, deduz-se que a mesma não é acumulativa, dado que nenhuma época conserva todas as verdades descobertas ao longo da História, produzindo-se, por si só, as revoluções, mudanças bruscas do modelo teórico e da concepção do mundo que se mantiveram durante um determinado período.
As concepções do mundo, anteriormente referidas integram-se nos chamados paradigmas, que incluem teorias metodológicas, técnicas, crenças gerais acerca do mundo e conjunto de problemas científicos. A época dominada por um paradigma é o “Período da Ciência Normal” caracterizado pela confiança absoluta dos cientistas no seu paradigma. Nestas épocas, os cientistas dedicam-se à resolução de problemas rotineiros conforme os ditames da sua teoria.
Segundo Kuhn, não é tanto à lógica que cabe estudar a decisão de escolha de um paradigma, mas mais à psicologia ou à sociologia. A ciência não visa um fim pré-estabelecido e para Kuhn, não tem sentido afirmar que a ciência progride, pois o progresso é visto como uma aproximação contínua à verdade e deste modo, o desenvolvimento da ciência não é teleológico. A negação do progresso como aproximação à verdade levou a que acusassem o pensamento de Kuhn não só de relativismo mas também de irracionalismo.
A palavra “ciência” tem sofrido diversas interpretações ao longo dos séculos. No decurso do tempo, o Homem tem procurado conhecer o inacessível mistério do Mundo e de si mesmo. Cego, indo de encontro das “coisas”, o Homem experimenta e erra; aventura-se e formula hipóteses; abstrai e, lentamente, vai construindo partes que o levam do conhecido para o desconhecido. De descoberta em descoberta, de invenção em invenção, inserido e controlado por todas as circunstâncias, sociais, políticas, éticas e económicas, as estruturas do conhecimento, do saber, vão-se multiplicando e complexificando. A ciência vai-se adaptando e evoluindo numa linha temporal.
As componentes teóricas necessárias à ciência, vão-se construindo. Nesse mundo dualista, “res extensa” e “res cogita”, a ciência vai-se precisando e dividindo, distinguindo-se de outras actividades, pelo reforço da razão, da lógica e da experiência. Assim sendo, introduz-se o método, “claro e evidente”. Através da ciência, o conhecimento vai centrando-se nos fenómenos, “coisifica-se” e admite como único conhecimento o Empírico-Experimental.
O método experimental contém problemas cruciais na sua construção, como sejam o da indução, o da demarcação (cujo critério é o da falsificabilidade), bem como problemas de empirismo, de objectividade científica e de comunicação subjectiva, como diz Popper. O conhecimento científico releva de partes do conhecimento do senso comum, ao qual atribui um método e uma terminologia.
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
EPISTEMOLOGIA: “Uma imensa curiosidade pela Natureza, pelo Homem e pelo Cosmos caracterizam a mentalidade moderna”
“Uma imensa curiosidade pela Natureza, pelo Homem e pelo Cosmos caracterizam a mentalidade moderna” e “As concepções aristotélicas forma, na Idade Média, sobretudo instrumentos ideológicos”
Koyré, Alexandre (1983), Estudios de Historia del Pensamento Científico, Siglo XXI, Madrid.
Caraça, Bento de Jesus, Conferências e Outros Escritos, Ed. J. M. C., Lisboa, 1978.
Alexandre Koyré pressupõe no presente ensaio que “Uma imensa curiosidade pela Natureza, pelo Homem e pelo Cosmos caracterizam a mentalidade moderna” [Koyré, 1983]. Neste âmbito, Koyré insinua que a Época Renascentista abrange uma grande transformação intelectual, incidindo sobre uma mentalidade aberta, onde se acreditava que “tudo é possível” [Koyré, 1983]. Contudo, não se tinha a percepção de que tudo seria possível de acordo com o sobrenatural (aquilo que está para além do mundo perceptível) ou se pelo contrário, tudo seria possível por acção das forças naturais. Deste modo, surgiu o chamado Naturalismo, segundo o qual tudo era explicado em função da acção da natureza.
O Homem Renascentista detinha um grande espírito de aventura que o conduziam a grandes viagens de descobrimentos, de tal forma que, a circum-navegação do Mundo se torna num marco histórico importante, já que o mesmo levou ao enriquecimento espontâneo do conhecimento dos factos. O século XVI reuniu “uma recompilação de factos e uma acumulação de saber” [Koyré, 1983], predispondo o Homem para o estudo intrínseco do corpo humano, de forma a desenvolver o estudo da anatomia.
Alexandre Koyré salienta o facto da Época Renascentista incorporar “uma agudeza de visão positivamente prodigiosa” [Koyré, 1983] e, nesta linha de pensamento, o homem consciencializa-se de que seria primordial a presença de uma teoria classificativa para tornar possível a classificação razoável dos factos que iriam surgindo ao longo dos descobrimentos. O Homem Renascentista detém uma percepção da variabilidade. Nesta época, registou-se uma evolução científica à margem do espírito renascentista, perante a qual, Alexandre Koyré assentava a teoria conceptual de que seria necessário colocar de lado a “síntese aristotélica”.
Em contrapartida, no excerto de Bento de Jesus Caraça atribui-se às concepções Aristotélicas instrumentos ideológicos. Aristóteles um dos grandes pensadores do século IV a. C. interrogou-se sobre a existência de movimentos simples perfeitos e após a averiguação dos mesmos deduziu que apenas o movimento circular é perfeito.
Para Aristóteles nem a recta finita, nem a infinita podem ser perfeitas, só mesmo a circunferência o poder ser, dado que esta “completa-se a si mesma” [Caraça, 1978]. Bento de Jesus Caraça infere que no espaço dominam os movimentos perfeitos mas, em oposição, na Terra reina a imperfeição. De acordo com a concepção aristotélica, o universo é formado por esferas concêntricas e a Terra é centro do mesmo (geocentrismo). As mesmas sofrem a atracção de uma substância que lhes é transcendente, mais precisamente a substância divina que possui uma forma pura e imaterial.
Em conformidade com a concepção de Aristóteles podemos inferir a Terra como centro de um corpo divino. Este último está em constante rotação enquanto a Terra está em “repouso”. Aristóteles admitiu também a existência de cinco elementos que se redimiam aos corpos celestes, e por conseguinte, os fenómenos processados na Terra são influenciados por estes. Do Universo Aristotélico fazem parte as substâncias físicas terrestres e as substâncias físicas celestes. Estas são formadas pela matéria primeira e por quatro elementos (ar, fogo, terra, água). Em oposição, as substâncias físicas celestes são formadas por um quinto elemento, a intitulada quinta-essência. Aristóteles considera o mundo etéreo vivo e inteligente. Perante esta panorâmica, à semelhança de Aristóteles, também Bento de Jesus Caraça defende que “o movimento da terra é impossível” [Caraça, 1978].
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
Koyré, Alexandre (1983), Estudios de Historia del Pensamento Científico, Siglo XXI, Madrid.
Caraça, Bento de Jesus, Conferências e Outros Escritos, Ed. J. M. C., Lisboa, 1978.
Alexandre Koyré pressupõe no presente ensaio que “Uma imensa curiosidade pela Natureza, pelo Homem e pelo Cosmos caracterizam a mentalidade moderna” [Koyré, 1983]. Neste âmbito, Koyré insinua que a Época Renascentista abrange uma grande transformação intelectual, incidindo sobre uma mentalidade aberta, onde se acreditava que “tudo é possível” [Koyré, 1983]. Contudo, não se tinha a percepção de que tudo seria possível de acordo com o sobrenatural (aquilo que está para além do mundo perceptível) ou se pelo contrário, tudo seria possível por acção das forças naturais. Deste modo, surgiu o chamado Naturalismo, segundo o qual tudo era explicado em função da acção da natureza.
O Homem Renascentista detinha um grande espírito de aventura que o conduziam a grandes viagens de descobrimentos, de tal forma que, a circum-navegação do Mundo se torna num marco histórico importante, já que o mesmo levou ao enriquecimento espontâneo do conhecimento dos factos. O século XVI reuniu “uma recompilação de factos e uma acumulação de saber” [Koyré, 1983], predispondo o Homem para o estudo intrínseco do corpo humano, de forma a desenvolver o estudo da anatomia.
Alexandre Koyré salienta o facto da Época Renascentista incorporar “uma agudeza de visão positivamente prodigiosa” [Koyré, 1983] e, nesta linha de pensamento, o homem consciencializa-se de que seria primordial a presença de uma teoria classificativa para tornar possível a classificação razoável dos factos que iriam surgindo ao longo dos descobrimentos. O Homem Renascentista detém uma percepção da variabilidade. Nesta época, registou-se uma evolução científica à margem do espírito renascentista, perante a qual, Alexandre Koyré assentava a teoria conceptual de que seria necessário colocar de lado a “síntese aristotélica”.
Em contrapartida, no excerto de Bento de Jesus Caraça atribui-se às concepções Aristotélicas instrumentos ideológicos. Aristóteles um dos grandes pensadores do século IV a. C. interrogou-se sobre a existência de movimentos simples perfeitos e após a averiguação dos mesmos deduziu que apenas o movimento circular é perfeito.
Para Aristóteles nem a recta finita, nem a infinita podem ser perfeitas, só mesmo a circunferência o poder ser, dado que esta “completa-se a si mesma” [Caraça, 1978]. Bento de Jesus Caraça infere que no espaço dominam os movimentos perfeitos mas, em oposição, na Terra reina a imperfeição. De acordo com a concepção aristotélica, o universo é formado por esferas concêntricas e a Terra é centro do mesmo (geocentrismo). As mesmas sofrem a atracção de uma substância que lhes é transcendente, mais precisamente a substância divina que possui uma forma pura e imaterial.
Em conformidade com a concepção de Aristóteles podemos inferir a Terra como centro de um corpo divino. Este último está em constante rotação enquanto a Terra está em “repouso”. Aristóteles admitiu também a existência de cinco elementos que se redimiam aos corpos celestes, e por conseguinte, os fenómenos processados na Terra são influenciados por estes. Do Universo Aristotélico fazem parte as substâncias físicas terrestres e as substâncias físicas celestes. Estas são formadas pela matéria primeira e por quatro elementos (ar, fogo, terra, água). Em oposição, as substâncias físicas celestes são formadas por um quinto elemento, a intitulada quinta-essência. Aristóteles considera o mundo etéreo vivo e inteligente. Perante esta panorâmica, à semelhança de Aristóteles, também Bento de Jesus Caraça defende que “o movimento da terra é impossível” [Caraça, 1978].
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
EPISTEMOLOGIA : “O pluralismo das ordens de inteligibilidade substitui o monismo do mito”
Gusdorf, Georges (1979), Mythe et Métaphysique, in TPU 3, M.E., Lisboa, pp. 65-67
Georges Gusdorf tentou, em primeiro lugar, reabilitar a mitologia que é, para ele, “uma primeira metafísica”. Vê na consciência mítica “um enriquecimento e um alargamento da razão”. Para este filósofo, trata-se, não de perder a razão, mas de a salvar regressando ao “homem integral”, realizando “a promoção do instinto a espiritual”. Um tal projecto separa radicalmente Georges Gusdorf do racionalismo e do intelectualismo e, não deixa criticar severamente essas correntes filosóficas às quais censura “desencarnarem a pessoa”. Georges Gusdorf esboça um regresso aos mitos que têm, segundo ele, a vantagem de enunciar a matéria da realidade humana e de desenvolver os valores no estado selvagem.
O papel da filosofia é, pois, o de retomar os mitos para operar uma purificação e uma discriminação. Há mitos de ascensão e de queda, de humano e de inumano. A razão concreta deve-lhes fazer o inventário, descobrir a sua intenção perfeita, autenticar os valores de que são portadores e fazer, assim, passar o homem da natureza à cultura. Para Georges Gusdorf uma morfologia ou uma tipologia dos mitos seria uma introdução ao conhecimento do homem concreto. Gusdorf como filósofo considera que o homem deve assumir constantemente a sua própria liberdade expondo-a a todos os riscos da existência.
Georges Gusdorf reflecte no presente ensaio acerca da necessidade de criação de uma atitude monística face ao mito, não descurando a pré-existência de um pluralismo das ordens de inteligibilidade. Deste modo, “a perda do lugar ontológico, garantido pelo mito e destruído pela razão, é sentida como uma transgressão, geradora de insegurança e de angústia” [Gusdorf, 1979: 65]. Esta abordagem debruça-se sobre o sentimento de transgressão que corresponde, como já foi referido anteriormente “à ruptura que se dá entre a natureza e a cultura” [Gusdorf, 1979: 65], procurando o justo meio entre as duas concepções alienantes que dominam o novo estatuto da condição humana perante a consciência moral e consciência religiosa. Nesta base, a chamada consciência reflexiva distanciou-se em relação à natureza.
Por outro lado, surge o saber como uma tentativa de reintegração, com o intuito de reencontrar um equilíbrio ontológico. Por sua vez, o mito incita uma implicação, tornando a consciência reflexiva como regime de separação e de oposição. O homem “descobre a autonomia do seu pensamento e do seu próprio ser” e, em oposição, “o próprio corpo humano é separado do pensamento e situado no universo das coisas” [Gusdorf, 1979: 65].
A questão fundamental de Gusdorf incide sobre o dualismo existente entre a ciência e a religião, que chegam mesmo a delinear uma especialização do sagrado e do profano. Nesta linha de pensamento, impõe-se uma realidade entre a transcendência do objecto puro e a da divindade. Por conseguinte, o homem presta “vassalagem” à natureza e a Deus, sendo o conhecimento consagrado pela possessividade.
O autor identifica o espírito que torna inteligíveis as coisas e o próprio Deus, consolidando a permanência do Homem. Esta postura assumida por Gusdorf, introduz dois conceitos paralelos a razão teórica e a razão prática como forma de aplicar o saber adquirido.
Dissertando a afirmação “O pluralismo das ordens de inteligibilidade substitui o monismo do mito” [Gusdorf, 1979: 66], constata-se que o mito era uma inteligibilidade dada e o saber implica uma inteligibilidade procurada. Gusdorf admite estas inteligibilidades como algo que padece ser uma funcionalidade da Razão, e por último, denota-se a importância da unificação da dita Razão. O mito, segundo este filósofo, introduz o pensamento como “uma espécie de sustentáculo do género da vida” [Gusdorf, 1979: 66]. O Mito afasta-se do Real para melhor o dominar, dando lugar à Razão, afirma Gusdorf.
Nesta encruzilhada, Gusdorf sustenta que o mundo da verdade corresponde ao mundo concreto. “As estruturas do pensamento e da acção ordenam-se em relação a estruturas de estruturas, cujo conjunto desenha as configurações do universo do discurso” [Gusdorf, 1979: 67] e, perante este dado adquirido, a autoridade da Razão coloca de parte as afirmações erróneas das sensações e do senso comum.
nº23192 - Zara Vilhena Mesquita
Georges Gusdorf tentou, em primeiro lugar, reabilitar a mitologia que é, para ele, “uma primeira metafísica”. Vê na consciência mítica “um enriquecimento e um alargamento da razão”. Para este filósofo, trata-se, não de perder a razão, mas de a salvar regressando ao “homem integral”, realizando “a promoção do instinto a espiritual”. Um tal projecto separa radicalmente Georges Gusdorf do racionalismo e do intelectualismo e, não deixa criticar severamente essas correntes filosóficas às quais censura “desencarnarem a pessoa”. Georges Gusdorf esboça um regresso aos mitos que têm, segundo ele, a vantagem de enunciar a matéria da realidade humana e de desenvolver os valores no estado selvagem.
O papel da filosofia é, pois, o de retomar os mitos para operar uma purificação e uma discriminação. Há mitos de ascensão e de queda, de humano e de inumano. A razão concreta deve-lhes fazer o inventário, descobrir a sua intenção perfeita, autenticar os valores de que são portadores e fazer, assim, passar o homem da natureza à cultura. Para Georges Gusdorf uma morfologia ou uma tipologia dos mitos seria uma introdução ao conhecimento do homem concreto. Gusdorf como filósofo considera que o homem deve assumir constantemente a sua própria liberdade expondo-a a todos os riscos da existência.
Georges Gusdorf reflecte no presente ensaio acerca da necessidade de criação de uma atitude monística face ao mito, não descurando a pré-existência de um pluralismo das ordens de inteligibilidade. Deste modo, “a perda do lugar ontológico, garantido pelo mito e destruído pela razão, é sentida como uma transgressão, geradora de insegurança e de angústia” [Gusdorf, 1979: 65]. Esta abordagem debruça-se sobre o sentimento de transgressão que corresponde, como já foi referido anteriormente “à ruptura que se dá entre a natureza e a cultura” [Gusdorf, 1979: 65], procurando o justo meio entre as duas concepções alienantes que dominam o novo estatuto da condição humana perante a consciência moral e consciência religiosa. Nesta base, a chamada consciência reflexiva distanciou-se em relação à natureza.
Por outro lado, surge o saber como uma tentativa de reintegração, com o intuito de reencontrar um equilíbrio ontológico. Por sua vez, o mito incita uma implicação, tornando a consciência reflexiva como regime de separação e de oposição. O homem “descobre a autonomia do seu pensamento e do seu próprio ser” e, em oposição, “o próprio corpo humano é separado do pensamento e situado no universo das coisas” [Gusdorf, 1979: 65].
A questão fundamental de Gusdorf incide sobre o dualismo existente entre a ciência e a religião, que chegam mesmo a delinear uma especialização do sagrado e do profano. Nesta linha de pensamento, impõe-se uma realidade entre a transcendência do objecto puro e a da divindade. Por conseguinte, o homem presta “vassalagem” à natureza e a Deus, sendo o conhecimento consagrado pela possessividade.
O autor identifica o espírito que torna inteligíveis as coisas e o próprio Deus, consolidando a permanência do Homem. Esta postura assumida por Gusdorf, introduz dois conceitos paralelos a razão teórica e a razão prática como forma de aplicar o saber adquirido.
Dissertando a afirmação “O pluralismo das ordens de inteligibilidade substitui o monismo do mito” [Gusdorf, 1979: 66], constata-se que o mito era uma inteligibilidade dada e o saber implica uma inteligibilidade procurada. Gusdorf admite estas inteligibilidades como algo que padece ser uma funcionalidade da Razão, e por último, denota-se a importância da unificação da dita Razão. O mito, segundo este filósofo, introduz o pensamento como “uma espécie de sustentáculo do género da vida” [Gusdorf, 1979: 66]. O Mito afasta-se do Real para melhor o dominar, dando lugar à Razão, afirma Gusdorf.
Nesta encruzilhada, Gusdorf sustenta que o mundo da verdade corresponde ao mundo concreto. “As estruturas do pensamento e da acção ordenam-se em relação a estruturas de estruturas, cujo conjunto desenha as configurações do universo do discurso” [Gusdorf, 1979: 67] e, perante este dado adquirido, a autoridade da Razão coloca de parte as afirmações erróneas das sensações e do senso comum.
nº23192 - Zara Vilhena Mesquita
EPISTEMOLOGIA - Gonçalves, Raquel (1991), Ciência, Pós-Ciência, Metaciência – tradição, inovação e renovação, Lisboa: Terramar, pp. 11-18
Raquel Gonçalves reflecte no presente ensaio acerca das vertentes da Ciência, da Filosofia e da Epistemologia a fim de conhecer a metodologia das verdades, da concordância entre teorias e realidades, interrogando em última instância a linearidade do conhecimento científico. A Ciência não se isola das outras formas do saber e, neste ponto de vista, surge a investigação histórica que tem como consequência uma narrativa estruturada que se impõe perante o passado através de uma sequência lógica e de uma fidelidade vincada. Perante isto, surge a “Ciência como problema histórico e como questão filosófica” [Gonçalves, 1991: 12].
A questão fundamental deste excerto de Raquel Gonçalves realça o dualismo que persiste entre a “História e Filosofia das Ciências” e a “Epistemologia”. A “Epistemologia debruça-se reflexivamente sobre a obtenção dos conhecimentos pela Ciência, na tentativa de esclarecê-los em profundidade” [Gonçalves, 1991: 18]. A Filosofia da Ciência elabora as vias axiomáticas do conhecimento, consoante a análise dos fenómenos interiores e exteriores ao homem, criando a ciência como actividade fundamental da Filosofia. A Epistemologia e a Filosofia da Ciência correspondem a “conteúdos conceptuais diferentes no tempo real e no tempo de actuação face à Ciência” [Gonçalves, 1991: 18].
Neste âmbito, pretende-se criticar linearmente a importância da Filosofia para o desenvolvimento evolutivo da Ciência, aparecendo como consequência a aplicação de leis científicas fundamentais ao meio social. Torna-se relevante incitar que a Ciência evolui e transforma-se consoante o refutar de leis científicas e, por outro lado, a Filosofia implica pensar como fazer a Ciência evoluir através das questões empíricas: “Para quê?”, “Como?”, “Porquê?”.
A Ciência é um processo contínuo e permanente de explicação e interpretação das experiências físicas. Deste modo, a ciência é um conhecimento certo das coisas, dos seus princípios e causas. Por outro lado, pode-se dizer que a ciência é um conjunto de designações, descrições e generalizações que constituem um ramo particular de saber humano. A mesma resume-se a uma sabedoria, erudição e conhecimento. Pressupõe a racionalidade sobre as suas condições de existência validando a investigação metódica das leis dos fenómenos, detendo “um conjunto de conhecimentos coordenados, relativos a um objecto determinado” [Gonçalves, 1991: 12].
Por conseguinte, em torno da Ciência surge o saber e o conhecimento. “O saber é muito mais do que o conhecimento” [Gonçalves, 1991: 12]; o saber engloba todo um conjunto de pressupostos, tais como: a sabedoria ética, a sensibilidade estética, a justiça e o bem-estar. A par disto, afirma-se que o saber é a virtude própria do entendimento, tal como defendia Alain.
O conhecimento, advém do saber, já que o mesmo estabelece critérios de falsificação e veracidade. “O termo Ciência era entendido como o denominador do conhecimento certo” [Gonçalves, 1991: 13]. A nova concepção de Ciência surge como um aglomerado homogéneo de elementos de verdade.
Raquel Gonçalves salienta o facto de a Ciência ganhar ambiguidade, na medida em que existem Ciências Exactas e Experimentais e, por outro lado, as Ciências Sociais e Humanas. Neste domínio, a Filosofia chegou a requerer o estatuto de Ciência, tendo como credibilidade a ignorância dos peritos. A Ciência assume a função de procurar os fragmentos coexistentes e não necessariamente unificadores. “Ciência é a fronteira da dilatação do espaço cultural” como defende António Brotas. Jean Petitot adepto de um racionalismo científico radical, conduz-nos à seguinte reflexão: “a ciência é a expressão cultural que se propõe conter um movimento de determinação objectiva” [Gonçalves, 1991: 14].
Em oposição, a Filosofia subsiste como “uma indagação racional sobre o mundo e o homem com propósito de encontrar a sua explicação última” [Gonçalves, 1991: 15]; tendo como objectivo encontrar os princípios básicos da existência e da conduta humana. Filosofia remete-nos para o conhecimento e sabedoria como uma forma de ciência geral dos seres.
A Filosofia surge como esforço permanente da Humanidade, achamo-la em todas as partes: na vida e na reflexão, na ciência e na religião, nas religiões e nas técnicas, na civilização e na cultura. Tal esforço filosófico da Humanidade realizou-se através das experiências múltiplas do ser, do pensamento e do valor. “A Filosofia é tendência forte para o seu objecto, o saber. O filósofo não é apenas um homem afeiçoado ao saber, mas aquele que tem por ele uma perfeita avidez” [Gonçalves, 1991: 17].
A Filosofia e a Ciência pertencem ao “saber”, estudando o mesmo objecto, procurando, todavia, diferentes verdades. Nesta sua reflexão, Raquel Gonçalves reforça as ideias-chave patentes no campo da Ciência e da Filosofia – a “Filosofia é o princípio e o fim, a indagação primeira e a explicação última, a procura da verdade absoluta do Homem e do Universo”, – em contrapartida – a “Ciência é um meio, a investigação e o encontro de verdades parcelares” [Gonçalves, 1991: 16].
A autora desenvolve a noção de Filosofia das Ciências , dando-nos a conhecer o seu papel primordial na sociedade actual. A Filosofia das Ciências incute-nos a tarefa de estabelecer os “princípios normativos essenciais da Ciência, como uma unidade, e a integração reflexiva e superior dos vários conhecimentos científicos especializados” [Gonçalves, 1991: 16].
“A Filosofia da Ciência é, pois, um movimento elevado no sentido do conhecimento científico; o filósofo da Ciência, um pensador activo dos seus desígnios” [Gonçalves, 1991: 17]. O termo Epistemologia surgiu como substituto de “Filosofia da ciência”, em 1908, com Émile Meyerson.
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
A questão fundamental deste excerto de Raquel Gonçalves realça o dualismo que persiste entre a “História e Filosofia das Ciências” e a “Epistemologia”. A “Epistemologia debruça-se reflexivamente sobre a obtenção dos conhecimentos pela Ciência, na tentativa de esclarecê-los em profundidade” [Gonçalves, 1991: 18]. A Filosofia da Ciência elabora as vias axiomáticas do conhecimento, consoante a análise dos fenómenos interiores e exteriores ao homem, criando a ciência como actividade fundamental da Filosofia. A Epistemologia e a Filosofia da Ciência correspondem a “conteúdos conceptuais diferentes no tempo real e no tempo de actuação face à Ciência” [Gonçalves, 1991: 18].
Neste âmbito, pretende-se criticar linearmente a importância da Filosofia para o desenvolvimento evolutivo da Ciência, aparecendo como consequência a aplicação de leis científicas fundamentais ao meio social. Torna-se relevante incitar que a Ciência evolui e transforma-se consoante o refutar de leis científicas e, por outro lado, a Filosofia implica pensar como fazer a Ciência evoluir através das questões empíricas: “Para quê?”, “Como?”, “Porquê?”.
A Ciência é um processo contínuo e permanente de explicação e interpretação das experiências físicas. Deste modo, a ciência é um conhecimento certo das coisas, dos seus princípios e causas. Por outro lado, pode-se dizer que a ciência é um conjunto de designações, descrições e generalizações que constituem um ramo particular de saber humano. A mesma resume-se a uma sabedoria, erudição e conhecimento. Pressupõe a racionalidade sobre as suas condições de existência validando a investigação metódica das leis dos fenómenos, detendo “um conjunto de conhecimentos coordenados, relativos a um objecto determinado” [Gonçalves, 1991: 12].
Por conseguinte, em torno da Ciência surge o saber e o conhecimento. “O saber é muito mais do que o conhecimento” [Gonçalves, 1991: 12]; o saber engloba todo um conjunto de pressupostos, tais como: a sabedoria ética, a sensibilidade estética, a justiça e o bem-estar. A par disto, afirma-se que o saber é a virtude própria do entendimento, tal como defendia Alain.
O conhecimento, advém do saber, já que o mesmo estabelece critérios de falsificação e veracidade. “O termo Ciência era entendido como o denominador do conhecimento certo” [Gonçalves, 1991: 13]. A nova concepção de Ciência surge como um aglomerado homogéneo de elementos de verdade.
Raquel Gonçalves salienta o facto de a Ciência ganhar ambiguidade, na medida em que existem Ciências Exactas e Experimentais e, por outro lado, as Ciências Sociais e Humanas. Neste domínio, a Filosofia chegou a requerer o estatuto de Ciência, tendo como credibilidade a ignorância dos peritos. A Ciência assume a função de procurar os fragmentos coexistentes e não necessariamente unificadores. “Ciência é a fronteira da dilatação do espaço cultural” como defende António Brotas. Jean Petitot adepto de um racionalismo científico radical, conduz-nos à seguinte reflexão: “a ciência é a expressão cultural que se propõe conter um movimento de determinação objectiva” [Gonçalves, 1991: 14].
Em oposição, a Filosofia subsiste como “uma indagação racional sobre o mundo e o homem com propósito de encontrar a sua explicação última” [Gonçalves, 1991: 15]; tendo como objectivo encontrar os princípios básicos da existência e da conduta humana. Filosofia remete-nos para o conhecimento e sabedoria como uma forma de ciência geral dos seres.
A Filosofia surge como esforço permanente da Humanidade, achamo-la em todas as partes: na vida e na reflexão, na ciência e na religião, nas religiões e nas técnicas, na civilização e na cultura. Tal esforço filosófico da Humanidade realizou-se através das experiências múltiplas do ser, do pensamento e do valor. “A Filosofia é tendência forte para o seu objecto, o saber. O filósofo não é apenas um homem afeiçoado ao saber, mas aquele que tem por ele uma perfeita avidez” [Gonçalves, 1991: 17].
A Filosofia e a Ciência pertencem ao “saber”, estudando o mesmo objecto, procurando, todavia, diferentes verdades. Nesta sua reflexão, Raquel Gonçalves reforça as ideias-chave patentes no campo da Ciência e da Filosofia – a “Filosofia é o princípio e o fim, a indagação primeira e a explicação última, a procura da verdade absoluta do Homem e do Universo”, – em contrapartida – a “Ciência é um meio, a investigação e o encontro de verdades parcelares” [Gonçalves, 1991: 16].
A autora desenvolve a noção de Filosofia das Ciências , dando-nos a conhecer o seu papel primordial na sociedade actual. A Filosofia das Ciências incute-nos a tarefa de estabelecer os “princípios normativos essenciais da Ciência, como uma unidade, e a integração reflexiva e superior dos vários conhecimentos científicos especializados” [Gonçalves, 1991: 16].
“A Filosofia da Ciência é, pois, um movimento elevado no sentido do conhecimento científico; o filósofo da Ciência, um pensador activo dos seus desígnios” [Gonçalves, 1991: 17]. O termo Epistemologia surgiu como substituto de “Filosofia da ciência”, em 1908, com Émile Meyerson.
nº 23192 - Zara Vilhena Mesquita
Assinar:
Postagens (Atom)