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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"As coisas piores"

"Não sabia que a dor contém estranhos labirintos
que ainda não acabara de percorrer"

Até logo, tristeza,
Assumpta Roura

"Amanhã? Onde está o Amanhã?"

"Cada homem é obrigado,
no decurso da sua breve vida,
a escolher entre a esperança infatigável
e a prudente falta de esperança,
entre as delicias do caos
e as da estabilidade."

Até logo, tristeza - Assumpta Roura

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

"A Noiva Judia"

"Costumava forçar-se a chorar antes de chegar a casa, depois de estar com seu amante. Olhava-se no espelho do elevador e dizia a si própria baixinho que o tempo lhe havia de roubar toda a beleza."


Pedro Paixão, A Noiva Judia

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Ética.......by Espinosa

"Como a razão nada exige que seja contrário à natureza, exige, por conseguinte, que cada qual se ame a si mesmo, busque a sua própria utilidade - o que realmente lhe seja útil -, apeteça tudo aquilo que conduz realmente o homem a uma perfeição maior e, em termos absolutos, que cada qual se esforce quando estiver na sua mão por conservar o seu ser. (...) E assim, nada mais do que o homem é útil ao homem; quero dizer que nada podem os homens desejar que seja melhor para a conservação do seu ser do que concordarem todos em todas as coisas, de maneira a que as almas de todos formem como que uma só alma, e os seus corpos como que um só corpo, esforçando-se todos a uma, tanto quanto possam, por conservar o seu ser, e buscando todos ao mesmo tempo a utilidade comum, daqui se seguindo que os homens se guiam pelo razão, quer dizer, os homens que buscam a sua utilidade sob a condução da razão, não querem para si nada que não desejem para os demais homens, e, por isso, são justos, dignos de confiança e hoenestos".


A honestidade e a razão são dois principios univocos que compadecem do mesmo sentido de justiça, ainda que neles também possa subsistir o amor e com este último a dor.
O homem conserva-se a si próprio se aprender a amar todos os defeitos que transparece. Na humanidade a conservação de pensamentos justos são vindouros se perdurar a concordância num mundo em que almas tendem a ter acções dispares e, por vezes, errantes. Os homens no seu conjunto podem formar uma só alma, pura, sem preconceitos, univoca e sem paralelismos distantes se ouvir o seu coração mas, sobretudo se seguir a razão. Pois, esta última, é aquela que transmite a dignidade de confiar em cada passo dado.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Excerto da Obra: Goste de Si de Luis Martins Simões

"Gostar implica um sentimento por uma pessoa ou uma coisa, um sentimento que desencadeia uma emoção positiva mais ou menos doce consoante o modo de gostar. Gostar pode ser com paixão ou não. Gostar é um sentimento de que desfrutamos em contacto com alguém ou alguma coisa.
Amar tem um sentido bem mais lato. Eu posso gostar de mim e talvez não me esteja a Amar. Mas posso não gostar de alguém e ainda assim Amá-lo. Como também posso gostar de alguém e não o Amar. Amar não é gostar. Amar é olhar para o outro e aceitá-lo exactamente como ele é, nas suas fragilidades e nas suas forças. Não é preciso gostar do outro para o poder Amar. Amar é aceitar.
Amar-se é aceitar-se. Amar outros é aceitá-los.
Amar é aceitar. Gostar é um sentimento.
Se eu gosto de alguém mas não o Amo, não lhe aceito todas as suas fraquezas, os seus momentos de desequilibrio, as suas violências. É uma paixão forte, mas que se irá esvaziando no seu amor e, provavelmente, virei a sentir-me, com o tempo, cada vez mais apegado e dependente dessa pessoa, por falta de Amor.
A paixão só durará o tempo da paixão. O Amor durará o tempo do Amor, que é eterno e permanente."

O amor é algo de sublime que não nos deixa julgar os outros, apenas nos faz aceitá-los na sua plenitude. As fraquezas, os desequilibrios, as violências, os medos, as virtudes do Ser Humano que amamos, seja ele qual for, serão aceites por nós. Quando amamos esquecemos até que existem limites. Gostar de alguém não implica amar assim como amar não implica gostar. Amar redime-se no aceitar do outro tal como ele é, sem questionar o porquê das suas atitudes. Amar pode significar sofrimento mesmo quando somos aceites pelos outros, mesmo quando amamos arduamente e alguém partilha connosco os mesmos sentimentos.
A paixão, por seu turno, cria dependência, provoca embriaguês, alucinações estonteantes, não nos deixa respirar e limita a nossa liberdade. A paixão desvanece-se por falta de amor.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Excerto da Obra: Doença mental, contra o preconceito para prevenir a exclusão

"Bem...o meu caderno mais parece um livro! E eu fico mais doente só de ler! Quando tento encaixar-me num qualquer tipo de perturbação da personalidade percebo que tenho muito de quase todas elas e concordo com o médico: devo estar mesmo muito doente. Nunca tinha percebido que os meus comportamentos eram resultado de uma doença mental. Nunca imaginei ser capaz de me rever nas páginas dos livros....nem que conseguia ler livros destes!
Concordo com o médico noutra coisa: tenho andado a desperdiçar a minha vida. Mas não sei como mudar...
Sinto-me perdido e confuso. Como se tivesse acabado de nascer e estes fossem os primeiros dias da minha vida. Como se não tivesse tido vida até agora....Os técnicos dizem que é possivel ajudar-me a estabelecer objectivos de vida e a conseguir atingi-los, desde que eu colabore e também o queira.
Os meus pais têm vindo visitar-me. Não param de me dizer como gostam de mim e o muito que desejam que eu consiga fazer algo de bom com a minha vida. Tenho a sorte de ainda os ter do meu lado. Ainda bem que não estão muito zangados com as patifarias que lhes fiz. Dizem que quando for para casa vão ajudar-me e manter-me no caminho certo e que tudo farão para me apoiar e compreender. Percebo que, afinal, são uns tipos simpáticos!"

É bom relembrar que a estabilidade emocional de um doente só depende de si próprio ainda que todos os que o rodeiam marquem um papel fundamental na sua recuperação. Torna-se importante que o doente reconheça os seus sintomas, os seus problemas e que sobretudo abra um caminho de esperança onde todos os técnicos, familiares e demais envolventes possam sobretudo ajudar e pacificar todo o sofrimento de uma vida.
O perdão deve coexistir sempre na linha de base de quem sofre de algum tipo de distúrbio emocional. A compreensão dos outros torna-se fulcral no bem-estar do doente. Quando se sofre deambula-se por caminhos incoerentes e constroem-se atitudes muito dispares, por isso é importante saber perdoar, saber agir e mais do que tudo saber compreender os que sofrem muitas vezes sem causas aparentes.