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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Uma lenda de Abrantes

Das lendas da cidade que conheço, esta é que mais gosto pelo seu detalhe.

ABRANTES é uma antiquíssima cidade. Segundo alguns autores, terá sido fundada pelos Túrdulos 990 anos antes de Cristo, segundo outros foi fundada por galo-celtas em 308 a. C. Foi senhoreada por Romanos, Visigodos, Árabes e, por fim, em 8 de Dezembro de 1148, conquistou-a D. Afonso Henriques. Diz-se que os Romanos lhe chamavam Tubucci, os Vísigodos Aurantes e os Árabes Líbia. Segundo a lenda, o nome de Abrantes data, mais ou menos, da época da conquista da fortaleza por D. Afonso Henriques, estando ligado a acontecimentos imediatamente posteriores.
Consta que era alcaide do castelo um velho mouro chamado Abraham Zaid. Abraham tinha uma filha a que chamara Zara e um filho bastardo, de uma cativa cristã, a que pusera o nome de Samuel. Ninguém sabia, porém, que Samuel era filho do velho alcaide, nem o próprio rapaz. Assim, viviam os dois jovens apaixonados e o velho sentindo crescer em si, dia a dia, uma angústia terrível, antevendo a hora em que seria obrigado a revelar o seu segredo.
Um dia, diz a História, os cristãos foram pôr cerco ao castelo. A hoste era comandada pelo aguerrido Afonso Henriques, que trazia consigo vários cavaleiros e monges. Do Mosteiro do Lorvão trouxera o Rei um velho e sábio monge beneditino para o aconselhar os assuntos espirituais. De algures, de um local qualquer do reino, trouxera um cavaleiro cheio de ideais e de força guerreira, chamado Machado.
Finda a batalha e conquistado o castelo, Samuel foi aprisionado por Machado. Na confusão do saque da debandada moura, o cavaleiro, que acabara de desarmar Samuel, viu um peão perseguindo Zara com intuitos evidentes de violação, e, entregando o prisioneiro a dois vigias, correu em auxilio da moura. Com um forte empurrão derrubou o soldado, que estava ébrio, e amparando Zara foi entregá-la à custódia do velho beneditino, até que se acalmassem os ânimos exaltados pelo sangue, pelo saque e pelo vinho.
Quando o cavaleiro Machado retomou o seu posto, ia como que alheado. Ficara fascinado pela beleza da moura, estranhamente parecida com uma imagem de Nossa Senhora dos Aflitos que sua mãe lhe dera ao morrer e que ele, devotamente, trazia sempre consigo. Por outro lado, impressionara-o a repentina recordação de um sonho que vinha tendo frequentemente e no qual, ao escalar os muros de um castelo, se via salvando uma donzela com que se casaria. Tudo isto contribuía para o alhearnento do jovem cavaleiro, que, se não fossem as suas obrigações de guerreiro, decerto se teria quedado em enternecida contemplação da bela Zara.
Entretanto, D. Afonso Henriques, querendo remunerar os serviços prestados naquela batalha pelo seu bastardo D. Pedro Afonso, deu-lhe o senhorio do castelo e nomeou-o seu alcaide-mor. Pedro Afonso, porém, desejava partir com o pai para Torres Novas e, por isso, decidiu delegar a alcaidaria no cavaleiro Machado.
O Rei, antes de partir, mandou que o monge ficasse no castelo como guardião das almas, ordenou-lhe que entregasse a prisioneira a Abraham e tomou todas as medidas necessárias à segurança da vila.

Assim que a hoste se desvaneceu ao longe, na poeira, o cavaleiro Machado, feliz por ficar como alcaide do castelo, apaixonado por Zara, preparou-se para conquistar o seu coração utilizando os meios permitidos pelo código de honra da cavalaria, ou seja, os modos corteses e suaves. Mas Zara, que adorava Samuel, sentia uma espécie de rejeição cada vez que o cavaleiro se aproximava de si. E, para não fazer qualquer gesto mais brusco que comprometesse a boa paz em que viviam, pedia conselhos ao pai e ao velho monge. O frade, como confessor do cavaleiro, bem sabia o amor que ele tinha pela donzela, e, como bom observador, compreendia que nas evasivas de Abraham existia qualquer coisa de estranho. Por isto, procurava conciliar toda a gente e assegurava a Zara a honradez e nobreza de sentimentos do jovem alcaide.
Samuel, porém, não conseguia viver em paz. Os ciúmes irrompiam nele à mínima alusão, ao mínimo gesto, sem que conseguisse controlar-se. E, na sua insegurança, tão depressa acatava as palavras conciliatórias de Abraham e do monge, como ficava possuído pelo demónio da Loucura, que o obrigava a cometer insânias.

Zara acreditava que Samuel estava compenetrado do seu amor e da sua fidelidade e pensava, por isso, que as acções destrambelhadas do rapaz provinham da mudança de situação para vencido de guerra. Assim, certa tarde em que tentava reconciliá-lo com o alcaide, perguntou ao pai como deveria proceder se o cavaleiro viesse procurá-la e ele não estivesse em casa: deveria manter a porta fechada como se não estivesse ninguém, ou recebê-lo-ia?
Abraham, julgando ver nesta pergunta um novo intuito de ofensa ao alcaide do castelo, para evitar mais problemas, respondeu:
-Nada temo nem receio da tua virtude, minha filha. E confio também na honradez do alcaide. Abre antes a porta!

Samuel, porém, ao ouvir estas palavras perdeu o domínio de si e correu para a rua, gritando como louco:
- Abre antes! Abre antes!

A vizinhança acorreu, uns aos postigos, outros às vielas, a saber o que aquilo era, e Samuel, enlouquecido de ciúmes, contava a história à sua maneira, deixando agravados o alcaide, Zara, Abraham e o próprio monge.
Conta a lenda, ainda, que Samuel acabou por cair de cansaço e de febre. Uma vez bom de saúde, Abraham juntou os e contou-lhes a verdade sobre o nascimento do rapaz. Assim ficaram a saber que eram irmãos e que a mãe de Samuel fora uma bela cativa cristã que certo dia chegara a Tubuccí chorando um noivo que deixara na sua terra, chamado João Gonçalves.

Rolaram lágrimas silenciosas pelas faces envelhecidas do frade beneditino. Ele fora esse João Gonçalves que, vendo a noiva desaparecer, crendo-a perdida para sempre, entrara para o Mosteiro do Lorvão. Pediu o monge a Abraham dados sobre essa cativa, para se certificar de que a mãe de Samuel fora a sua amada noiva. E vendo que os dados coincidiam, tomou o rapaz a seu cargo, conseguindo pô-lo ao serviço do Rei de Portugal.
Machado e Zara acabaram por casar, depois de os mouros se terem feito cristãos, e dentro das muralhas da velha Tubuccí reinou, finalmente, a harmonia.

E, segundo reza a lenda, em memória do febril acesso de loucura de Samuel, Tubucci passou a ser chamada Abrantes.

Lenda da Princesa Zara

A Princesa Zara
Era uma vez ... nos tempos já muito distantes do Rei Afonso, que do norte vinha para o Sul, conquistando terras e mais terras que estavam na posse da moirama, chegou ele às proximidades de Leiria cuja terra conquistou também.

Aqui construiu um castelo rouqueiro, que entregou à guarda dos seus guerreiros, abalando à conquista de mais terras, a construir um Portugal maior.

Os mouros sabendo do castelo pouco guardado, voltaram e, após uma luta porfiada, venceram os guardas do castelo e tomaram-no.

Passou a ser por essa altura, seu guardião, um velho mouro que vivia com sua filha, uma linda moura de olhos esmeraldinos e louros cabelos entrançados, chamada Zara.

Um dia, já o sol se escondia no horizonte sob nuvens acobreadas, a linda moura, estava à janela do castelo voltada ao Arrabalde, a pentear os cabelos encanecidos de seu velho pai, quando viu ao longe uma coisa que lhe pareceu estranha, mesmo muito estranha.

Que viu a linda princesa castelã, de olhos verdes de esmeralda?

Viu o mato a deslocar-se de um lado para o outro e também em direcção do castelo.

Foi então que a linda princesa castelã perguntou ao seu velho pai:
"Oh! Pai, o mato anda?" Ao que o pai da linda princesa, respondeu:
"Anda, sim, minha filha, se o levam."

E o mato era levado, sim, mas pelos guerreiros cristãos do Rei Afonso, que se escondiam atrás de paveias de mato que cortaram e ajuntaram para avançarem para o castelo sem serem vistos.

E avançaram, avançaram cautelosamente, até que já próximo da porta chamada da traição, correram, passaram-na lentamente e conquistaram o castelo.

Nunca mais se soube da linda princesa de olhos verdes, nem de seu velho pai, que era o Governador, mas, a partir desse dia, Portugal ficou maior.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Poema de Zara.....e daqui nasce a minha "graça"

. Diz "huma tradiçaõ" que o nome de Abrantes se encontra

ligado à história da moura Záhára. Por boas ou más venturas.

. Ao autor não interessam as crenças, nem as factualidades.

. Os mistérios, sim. Ou a poesia, se quiserem.



. CITAÇÕES do bispo D. Fr. João da Piedade:

- "Hibrahim tinha huma filha donsella mui formosa, e

louçã, e gentil chamada Záhára..."

"... ou porque a belleza de Záhára o coraçaõ lhe ferira,

ou porque ella tinha feiço~es do rosto mui parecidas

com hum retrato da Virgem Nossa Senhora dos

Afflitos, que sua mãi lhe havia dado á hora da morte,

e que elle com muita devoçaõ trasia sempre consigo,

e havendo já per veses sonhado, que ao escalar os muros

de hum Castello, salvaria huma Donsella com cuja ca-

saria, julgou agora ver em Záhára a Virgem dos seus

sonhos".

"... e buscou per todos os meios honrosos ganhar o

coraçaõ de Záhára que ello naõ podia esquecer".



ZARA infere do tempo que aqueceu misturado no delírio real.

A sugestão dum nome no corpo anuncia uma lente que deixa o olhar

tranquilo e luminoso.

Título e memória.



" Le poème n'est pas un mécanisme de mots - il est un organisme ".

PIERRE GARNIER









Z

Nuvens azuis,

rio branco.

Alfabeto de flores

com sol verde pendurado nas janelas.



Raíz de pedra,

torre.

Imagem de quem nasce

no horizonte.



Alguns pássaros,

passos de gente.

Na estrada, pelo tempo,

vento lento, em castelo.



Mais côr leve,

chão de avenca e ázimo coração.



Uma tesoura feita de lâminas e água.




Monumentos de azulejo,

fáceis troncos arvóreos

qual misto de mármore

para o mar correndo.




Quartzo,

cal,

sombra,

sonhos.





Quem diz a ternura dos corpos

diz o inverno, essa mistura

de malvasia e amor,

de soturno jardineiro branco.







É pelas estações que se conhece a idade.



Talvez o rumo da história nascesse

antes de morrer

o que nas ruas tem a fala da memória.





Era um alto átomo, a vida

em canção,

e ouviu-se contar uma lenda,

multiplicada, quando eu passava no jardim.







Falo duma cidade,

antiga caixa de mortos e lêndias.

Hoje interminável

alegria,

glicínias.






Vou dizer que ao longo dos anos

a trovoada nasce

sobre um monte de casas

quando o verão aquece as serras.

Vê-las daqui cheias de chumbo

com riscos de lume na tela

e ah os estrondos

de cair o inferno.

Uma cidade treme por esquecimento

põem-se as luzes por cima das florescências

os homens são do tamanho das portas,

interminável o rio e o seu sopro.




Da areia falo

que no cofre das camionetas

um risco se deixa molhado

de peixes, por nascer, ao longo das estradas.




Antes escrever a palavra largo,

as artérias multiformes, montras,

e o povo porque não

com enxada e enxó.

Explica-se depois o sol.

Havia sempre uma floreira

ao lado duma mesa,

o convento de arcos.





Nesta dança cercada,

- a magia.

Imagem à beira de acontecer

o mistério do céu.





Mas esta cidade

por amor se perdeu, em Zara,

uma mulher.





As ruas nunca abaixo

acima se afirmam;

com gente à vida, nos parapeitos.



Nelas prendo meu acto

e minha âncora,

meu barco Tejo abaixo até ao tempo.






Varanda de ver o infinito,

o passo lento do para lá depois,

uma pausa, uma igreja,

a peleja dos dias intermináveis.





É da colina que eu vejo a cidade

ao subir a serpente.

E como de flores se veste um corpo de terra

resistindo no centro temporável.





Oh que de árvores

oh que já de cimento

ó que sinto

ó o ardor.





Vê-se daqui o sul,

o sol todos os dias ainda quando chove.

Há mártires pelas ruas,

o sossego numa navalha pressentida.





Divido o som duma cidade: entre:

este e este.

E qual deles ganha forma?






Falo-te em sílabas não imagináveis,

soletro o dorso do teu nome e recuso escrevê-lo.

Uma terra começa ao longo duma palavra

e significa.





Volto atrás porque não há árvores,

há corpos;

atrás porque não há nomes,

há sangue.





Vocês sabem os poemas de cor

e a côr,

vocês sabem a coragem,

mas dos nomes das ruas é que eu gosto.





Ó cidade porque te trato

e retrato por tu

em português?





Deixemos que um dia

te cravassem algumas espadas

e gravassem a imagem da tua honra,

deixemos.





Que vem da terra que não seja

quente?

Que vem da chuva senão a terra

molhada

e o seu aroma?



Que mistério renasce no relâmpago?

Que luzes queimam?

Que almas circulam?



- Como os vidros nos colocam contra nós!





Que texto é infindável?

Que vida se cumpre?

Que de teus olhos, cidade,

se viaja para lá entre longe?




Mantenho amar-te no que não sei.




Por vezes saio dentro duma concha

e a pérola

rescende

como se comesse

a primeira palavra do mundo:

os orégãos,

a ostra,

um certo visco branco,

vinho inesquecível

da videira inebriante.





Mais uma vez quanto quente

te exaltas e deitas e estremeces.





A frescura incendeia esta cidade,

o brilho do lume vem do impenetrável

sofrimento,

acresce a água por de debaixo

dum imenso véu de espuma.





Asperge-lhe uma flor,

um grande enorme magma.





Diria que na rua da barca

deste inferno

nasceu uma planta

que guardo dentro da pele.





Que outrora por aqui aconteceu?

Que milhafres?

Que riscos se escrevem hoje

com passos à medida

depois?




Retrato uma inteligência,

o saber do sabor profundo dos perfumes,

a maneira duma rua

como dantes.




Por aqui as pessoas sentam-se à mesa

pedem refrescos,

multiformes santuários,

dançam

no mais dentro labirinto.




Quem escolhe a terra que escolheu?




- a terra, e só!






Nada existe sem um corpo de morte.

Uma toalha branca é este centímetro de cal.



Por isso nos deixamos adormecer

indefinidamente.





Dizia se pudesse um nome.

Escrevê-lo-ía, contornando.

Para voltar.




Mas é a palavra que 'se'

esconde.





Deixei o nome atrás,

a palavra que pego agora,

bem posta, Zara amiga,

no rossio onde cantamos

ao longo dum rio de moínhos.

É quando arreciadas as mulheres

se colocam no alto das antenas

para anunciar

a emissão duma tragédia

(edo, edis, edere, edi, esum).

lépidas, tão sápidas, eloquentes.

O mosto é uma incineração doce,

disse S. Miguel.

Alva, vega uma ave

no espaço do rio interminável.



A batalha de Tramagal

square.




Esqueço nomes por adormecimento,

desfaço-os, refaço-os e desfaleço,

que um texto é uma tarântula minuciosa.

Porém, afago as terras indizíveis

e amo-as certiciturnamente.





Eu disse

o inominado.





Das luzes sei apenas o céu,

um deus de terra longínqua

que cabe na mão da palma dum canteiro,

florescendo.




Quase apetecia escrever:

"A ti Tágide minha...",

mas recuso.



Que "não" nasce numa palavra branca,

correndo?





Todos os anos, pelo menos,

uma criança morre no Tejo

e eu que estive lá

vejo

flores a crescer na areia

e a sua multiplicação

pelos jardins fronteiros

daqueles que um dia

vão ver os filhos morrer no Tejo.



Coisas.




Zara, que hora escolheste

para me escolher?



É de ti que há anos falo

nesta viagem

pelas outras cidades.

Todo o amigo que morre

em ti o enterro

para que floresça.



Onde vais rio que encanta?



Azar nosso, Zara,

se de Ulisses os ouvidos

não tivéssemos.




Acho que as coisas são mais simples e belas

que os poemas,

as pessoas não.

"Acabei de achar uma pedra

para pôr no museu

da imaginação".





Uma cidade nunca deve ser convexa,

côncava talvez,

cavada no mais íntimo da raíz

que um poeta que passa

é de graça, como vês.




Então como vamos de exílio?

E emigração?

E de canção?

Ó Botto da marinhagem!

Ó Camões da abordagem!



Ó O'Neill em que ano

tu estiveste no Pelicano?



Foi?



Ele há coisas, oméssa.



Como se apagaram as luzes. E é noite.



Vestido de pedra, um actor entra em cena,

Ó Taborda arranca-te ao jardim

viaja



Cá estou nas palmas, na (pla)teia de mim,

neste papel, de te fixar até ao infinito



Ouves?

O orfeão?



É assim.




Falava eu, portanto, dos filhos

que morrem no Tejo

e não precisava de ir tão longe

que eles morrem com o motor

da morte natural.





Uma cidade se não tiver

acontecimentos pequenos

não é grande.



Verdade?





Olho o rumor das encostas,

as estrelas que caminham,

o som das fachadas tranquilas.

Olho os desenhos, a fábrica das estrelas,

a miragem concreta dos rostos;

pétalas roxas

no tapete azul da colina de Stº António.

Olho a cruz dos dias

e um "álvares", em ferro, sobre os astros,

perdidamente.

Olho magicamente

o mapa

do teu corpo.

Olho os jardins,

os lírios;

líquidos os teus líquenes,

as amoras.

Olho as casas, as pessoas,

o tempo que as envelhece

e o desconhecimento disso.




Olho já depois de tudo acontecer,

a vida,

a peregrinação.




Olho-te, enlouquecendo.




Abrantes, cidade sem Ribatejo

nem Alentejo,

sem Beira nem eira

Tens um coração

que quer se queira

ou não

Bate

Bate




Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaate.

"Poema de Zara" - Antero de Quental

ZARA (Antero de Quental)

Feliz de quem passou, por entre a mágoa
E as paixões da existência tumultuosa,
Inconsciente, como passa a rosa.
E leve como a sombra sobre a água.

Era-te a vida um sonho: indefinido
E ténue, mas suave e transparente,
Acordaste... sorriste... e vagamente
Continuaste o sonho interrompido.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Cassima...irmã de Zara...A lenda

Lenda da moura Cassima - Castelo Branco

Esta lenda passa-se em 1149, na véspera da reconquista de Loulé aos Mouros pelo Mestre D. Paio Peres Correia.Loulé estava sob domínio dos mouros e seu governador tinha três belas filhas Zara, Lídia e Cassima que era a mais nova. Quando D. Peres se encontrava no exterior da muralhas da cidade pronto para conquistar a cidade, o governador levou as suas filhas até uma fonte onde as encantou, com o objectivo de as preservar de um possível do cativeiro. Contudo o governador nessa noite conseguiu fugir para Tânger deixando as suas filhas para trás.Mas este não conseguia viver feliz ao pensar na pouca sorte das suas pobres filhas. Até que num certo dia apareceu em Tânger um "carregamento" de escravos vindos de Portugal onde se encontrava um homem de Loulé, que o governador não hesitou em comprar.
Já no palacete o mouro perguntou ao Carpinteiro se ele não gostaria de voltar para perto da sua família, este sem perder um segundo disse que sim. Logo o mouro pegou num alguidar cheio de água dizendo ao louletano para ele se colocar de costas para o alguidar e saltar para o outro lado, prevenindo-o que se caísse dentro da água iria-se afogar no oceano, dando-lhe 3 pães (pães esses que continham a chave para o desencantamento das mouras) diz-lhe o que fazer com eles a fim de libertar as suas lindas filhas do encantamento a que foram sujeitas. O carpinteiro salta e como num passe de mágica chega a sua casa abraçando a sua mulher, logo de seguida ele vai até um canto da casa e esconde os 3 pães dentro de um baú.
Passado algum tempo mulher descobre os pães e fica desconfiada por ele estarem escondidos, então ela pega numa faca afim de ver se há alguma coisa dentro deles, espetando a faca num de imediato ela ouve um grito e as suas mãos enchem-se de sangue vindo do interior do pão.
Na véspera de S. João (dia para o encantamento ser quebrado) o carpinteiro estava indiferente à animação pois só pensava em cumprir a promessa por ele feita ao ex-governador, logo que pode pegou nos pães e foi até fonte. Chegando a altura certa este atira o 1º pão para a fonte e grita por Zara, a mais velha das irmãs e uma figura feminina sobe no espaço e desaparece diante dos seus olhos. Logo de seguida atira o 2º e grita por Lídia volta a aparece-lhe outra bela rapariga que desaparece no ar diante dele. Por fim atira o 3º e grita pela filha mais nova do ex-governador, nada acontece, ele volta a grita por Cassima e uma jovem moura aparece-lhe agarrada ao gargalo da fonte, que lhe diz que não pode sair dali devido a curiosidade da sua esposa. Ele pede-lhe desculpa em nome da sua pobre mulher, esta diz que a perdôa e que tem uma coisa para a mulher deste pois jamais poderá sair daquela fonte e atira um cinto bordado a ouro para as mãos do carpinteiro, enquanto desaparece no interior da fonte...
No caminho o Carpinteiro para ver melhor a beleza do cinto coloca-o em redor de um troco de um grande carvalho, mas de imediato a arvore cai por terra, cortada cerce pelo cinto fantástico.
Benzendo-se e rezando o carpinteiro compreende tudo: Cassima dera-lhe o cinto apenas para se vingar! ua mulher ficaria cortada ao meio, como o carvalho gigantesco!...
Este correu para casa abraçou a mulher e nessa noite não consegui pregar olho com medo que a moura ali aparecesse, mas isso nunca aconteceu. Tal como a moura Cassima lhe dissera não mais poderia sair da fonte. Apenas por vezes, segundo se diz - principalmente nas vésperas de S. João - ela consegue agarrar-se ao gargalo da fonte, e mostrar sua beleza, e chorar a sua dor aos que se aventuram por até lá....

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Significado de um nome singelo: "o meu" ZARA

Zara

Do árabe zahra que significa “flor de laranja”. Existiu uma cidade próxima de Córdova que se chamava Zara da qual ainda existem ruínas. Nome luminoso e evocador. Agradará a todos.

Emotiva e intuitiva. Zara não gosta de exibir o seu íntimo. Com oportunismo, apesar de espontaneamente, arma um círculo de amigos para satisfazer a sua necessidade de ser centro de atenções – aliás em qualquer parte o será – e de dominar com alegria e descontracção. Também a vida afectiva será fruto de tacto e discernimento, mais do que paixões descontroladas.


Personalidade: 1 Planeta: Sol Ser: 2 Estar: 8