terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Desabafos de uma qualquer vida

Vivi o que não queria viver. Conheci o que não queria conhecer. Chorei o que não queria chorar. Vi o que não queria ver. Senti o que não queria sentir. Vislumbrei os punhais todos, um a um. E cada pedaço que consegui imaginar de ti soube-me a vazio. Quis sorrir e não consegui. Simplesmente porque o medo de constatar a dor foi maior que o meu próprio sangue que derrama sobre as linhas desta tela imensamente manchada pelos rostos que um dia ousaram aproximar-se de mim. Sonhei alto demais. Confiei demais. E caí com toda a força que em mim subjaz. Os pés cansam-me. A alma cansada que habita em mim apenas pede clemência por um anjo qualquer que nunca ousou ver o lado mais puro da minha vida. O lado mais luminoso da Alma. Nada é mais triste do que saber que aquilo que construimos à nossa volta, de repente se desmorona. É como se uma leve brisa me dissesse: pára e vê como as pessoas não são como tu. Agora reconheço que o meu sorriso não pode ser jamais levantado aos céus, simplesmente porque existirá sempre uma lágrima que me vai incessantemente vingar o poço de os outros me quererem ver triste. Hoje sei que nada é feito de sorte, nada é feito de puros sentimentos. Hoje sei que seria muito mais feliz se tivesse vivido noutra época. Talvez tenha nascido no ano errado, no lado errado da vida. Quis construir um mundo melhor, mas tenho de me perdoar a mim própria porque nestes últimos meses não consegui. Talvez venha um novo rumo. Anseio por novos horizontes. Peço a tudo o que é mais sagrado na vida, um revirar da moeda, apenas um novo rumo. Necessito apenas de saúde, amigos verdadeiros, um meio profissional mais calmo que o anterior e sobretudo preciso apenas que me deixem conhecer o amor mútuo e autêntico. Fartei-me da falsidade e do amor não correspondido. Fartei-me de ter a noção que vivemos repletos de familias destruturadas onde os pais não ensinam os filhos a amar. Talvez deva acrescentar que não tenho culpa de viver numa familia onde o amor puro impera e ambicione fazer o mesmo. Gostava de um dia poder construir no futuro uma familia como a minha. No entanto, constato que será uma missão impossivel. Simplesmente porque hoje em dia não existem homem puros de sentimentos. A beleza do amor é destruida na raiz das familias destruturadas, onde os pais têm amantes, as mães compactuam com casamentos ficticios, as mães têm dois maridos, os pais duas esposas, os filhos meios irmãos e meias irmãs. Como pode um filho que vive numa familia assim querer amar....não pode.....é impossivel. São filhos traumatizados para toda a vida. E mais ainda falando do amor como é possivel casais que namoram anos e anos, às vezes até 10 anos e quando se juntam nada funciona. Se reflectir um pouco, consigo chegar a uma conclusão: simplesmente esses ditos casais nunca se amaram, apenas viveram na dependência um do outro, com medo da perda, com um medo atroz de viver na solidão. Estes ditos casais são casais dependentes do amor. Dependentes de afecto mas na verdade não se amam. Por isso, quando casam não se toleram, e simplesmente passam a odiar-se. O amor é dos sentimentos mais complicados que ouvi falar e que ousei sentir. Porque na verdade nunca cheguei lá. Para chegar a um amor são necessários 3 anos. Bem talvez possa dizer que cheguei ao amor sim. Mas apenas ao amor platónico onde fui absurdamente feliz. Talvez um dia volte a viver um platonismo, e esses sim são dos melhores amores de uma vida inteira repleta de emoções.

2 comentários:

ß→αιχιηнα disse...

só tens de ter muita força para ultrapassar tudo de mau que ficou pa trás.. tens de seguir em frente com um sorriso! sorri para a vida e ela te sorrira! beijinhoo

Zara Mesquita disse...

Sorrir é a melhor emoção que o Ser Humano pode oferecer ao Mundo, mesmo que a dor permaneça incansavelmente. ;)