segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O valor das pessoas

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesqueciveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!"

Fernando Pessoa

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A ti.....e aos teus.....a mim....e aos meus....

CONTAGEM DECRESCENTE PARA O DIA DOS NAMORADOS...

Será mais um dia como os outros, onde o amor só impera no coração daqueles que conheceram a sua verdadeira cara-metade e nunca ousaram magoá-la ou até mesmo perdê-la.
O dia dos Namorados será sempre um dia especial amparado pela amizade e carinho daqueles que sempre me amaram. A esses seres humanos especiais que sempre conviveram comigo,irei atribuir-lhes um prémio de mérito pelo coração doce que transparecem e pela armas que me concederam para continuar a lutar por uma vida melhor.
A todos os meus amigos devo a garra que ainda existe em mim. Para eles, dedico apenas estas palavras: sejam felizes nos dias especiais como este "Dia dos Namorados" e nos dias menos especiais. À menina e mulher que sempre me deu força para avançar com este blogue e não só aqui deixo o meus votos de maior sucesso a nivel profissional e emocional. Contigo aprendi a viver, e conheci o verdadeiro valor da amizade. Com estes rasgos de palavras deixo as minhas sinceras desculpas pelos últimos tempos. O mundo ansiou desabar sobre mim, e são sempre as pessoas que mais admiramos que ficam invadidas com os nossos comportamentos irreverentes. Obrigada por todo o apoio. Jamais me esquecerei de ti, menina dos blogues e da fotografia. Gosto muito de ti amiga....

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Filme: Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road)




"April (Kate Winslet) e Frank Wheeler (Leonardo DiCaprio) são um casal jovem que vive no subúrbio de Connecticut com os seus dois filhos na década de 1950. A máscara da auto-segurança esconde a enorme frustração que sentem por não serem completos no seu relacionamento ou na carreira. Determinados a conhecerem a si mesmos, eles decidem-se mudar para França. Mas o relacionamento começa a corroer um ciclo infinito de discussões, ciúmes e recriminações, e a viagem e seus sonhos correm grandes riscos de acabar."

Um filme repleto de emoções onde estão patentes questões tão problemáticas como os dramas económicos, os problemas conjugais, um distúrbio psicológico de uma mulher grávida em vias de decidir por caminhar para um aborto. A proeminência de relações extra-conjugais também surgem como focos de problemas melodramáticos diante de duas familias que estabelcem relações de amizade. A perda de uma esposa e de uma mãe incute na recta final do filme, um grande sentimento de dor. Esta perda advém de um aborto mal planeado, delineado fora do tempo. Passavam das 12 semanas e o resultado seria imperetrivelmente a morte tanto do feto como da progenitora.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Desabafos de uma qualquer vida

Vivi o que não queria viver. Conheci o que não queria conhecer. Chorei o que não queria chorar. Vi o que não queria ver. Senti o que não queria sentir. Vislumbrei os punhais todos, um a um. E cada pedaço que consegui imaginar de ti soube-me a vazio. Quis sorrir e não consegui. Simplesmente porque o medo de constatar a dor foi maior que o meu próprio sangue que derrama sobre as linhas desta tela imensamente manchada pelos rostos que um dia ousaram aproximar-se de mim. Sonhei alto demais. Confiei demais. E caí com toda a força que em mim subjaz. Os pés cansam-me. A alma cansada que habita em mim apenas pede clemência por um anjo qualquer que nunca ousou ver o lado mais puro da minha vida. O lado mais luminoso da Alma. Nada é mais triste do que saber que aquilo que construimos à nossa volta, de repente se desmorona. É como se uma leve brisa me dissesse: pára e vê como as pessoas não são como tu. Agora reconheço que o meu sorriso não pode ser jamais levantado aos céus, simplesmente porque existirá sempre uma lágrima que me vai incessantemente vingar o poço de os outros me quererem ver triste. Hoje sei que nada é feito de sorte, nada é feito de puros sentimentos. Hoje sei que seria muito mais feliz se tivesse vivido noutra época. Talvez tenha nascido no ano errado, no lado errado da vida. Quis construir um mundo melhor, mas tenho de me perdoar a mim própria porque nestes últimos meses não consegui. Talvez venha um novo rumo. Anseio por novos horizontes. Peço a tudo o que é mais sagrado na vida, um revirar da moeda, apenas um novo rumo. Necessito apenas de saúde, amigos verdadeiros, um meio profissional mais calmo que o anterior e sobretudo preciso apenas que me deixem conhecer o amor mútuo e autêntico. Fartei-me da falsidade e do amor não correspondido. Fartei-me de ter a noção que vivemos repletos de familias destruturadas onde os pais não ensinam os filhos a amar. Talvez deva acrescentar que não tenho culpa de viver numa familia onde o amor puro impera e ambicione fazer o mesmo. Gostava de um dia poder construir no futuro uma familia como a minha. No entanto, constato que será uma missão impossivel. Simplesmente porque hoje em dia não existem homem puros de sentimentos. A beleza do amor é destruida na raiz das familias destruturadas, onde os pais têm amantes, as mães compactuam com casamentos ficticios, as mães têm dois maridos, os pais duas esposas, os filhos meios irmãos e meias irmãs. Como pode um filho que vive numa familia assim querer amar....não pode.....é impossivel. São filhos traumatizados para toda a vida. E mais ainda falando do amor como é possivel casais que namoram anos e anos, às vezes até 10 anos e quando se juntam nada funciona. Se reflectir um pouco, consigo chegar a uma conclusão: simplesmente esses ditos casais nunca se amaram, apenas viveram na dependência um do outro, com medo da perda, com um medo atroz de viver na solidão. Estes ditos casais são casais dependentes do amor. Dependentes de afecto mas na verdade não se amam. Por isso, quando casam não se toleram, e simplesmente passam a odiar-se. O amor é dos sentimentos mais complicados que ouvi falar e que ousei sentir. Porque na verdade nunca cheguei lá. Para chegar a um amor são necessários 3 anos. Bem talvez possa dizer que cheguei ao amor sim. Mas apenas ao amor platónico onde fui absurdamente feliz. Talvez um dia volte a viver um platonismo, e esses sim são dos melhores amores de uma vida inteira repleta de emoções.

Significado: Amor

A palavra amor (do latim amor) presta-se a múltiplos significados na língua portuguesa. Pode significar afeição, compaixão, misericórdia, ou ainda, inclinação, atracção, apetite, paixão, querer bem, satisfação, conquista, desejo, libido, etc. O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, ou com algum objecto que seja capaz de receber este comportamento amoroso e alimentar as estimulações sensoriais e psicológicas necessárias para a sua manutenção e motivação.

Fala-se do amor das mais diversas formas: amor físico, amor platónico, amor materno, amor a Deus, amor a vida. É o tipo de amor que tem relação com o carácter da própria pessoa e a motiva a amar (no sentido de querer bem e agir em prol).

As muitas dificuldades que essa diversidade de termos oferece, em conjunto à suposta unidade de significado, ocorrem não só nos idiomas modernos, mas também no grego e no latim. O grego possui outras palavras para amor, cada qual denotando um sentido específico. No latim encontramos amor, dilectio, charitas, bem como Eros, quando se refere ao amor personificado numa deidade.

Amar também tem o sentido de gostar muito, sendo assim possível amar qualquer ser vivo ou objecto.

O amor, para ocorrer, não importando os níveis: se é social, afectivo, paternal ou maternal, fraternal - que é o amor entre irmãos e companheiros - deve obrigatoriamente ser permitido. O que significa ser amor permitido? Bem, de facto quase nunca se pensa sobre isso porque passa tão despercebido que se atribui a um comportamento natural do ser humano ou de outros seres vivos. Mas não, a permissão aqui referida tomasse por base um sentimento de reciprocidade capaz de dar início e alargar as relações de afectividade entre duas ou mais pessoas ou seres que estão em contacto e que por ventura vêm a nutrir um sentimento de afeição ou amor entre si.

A permissão ocorre num nível de aceitação natural, mental ou físico, no qual o ser dá abertura ao outro sem que sejam necessárias quaisquer obrigações ou atitudes demeritórias ou confusas de nenhuma das partes. A liberdade de amar, quando o sentimento preenche de alguma forma a alma e o corpo e não somente por alguns minutos, dias ou meses, mas por muitos anos, quiçá eternamente enquanto dure e mais nas lembranças e memórias.

Porque é que me amas? Porque tu permitiste. Essa frase remete ao mais simples mecanismo de reciprocidade e lealdade, se um pergunta ao outro a razão de seu sentimento de amor em direcção a ele, a resposta só poderia ser essa. A razão do sentimento de amor em direcção à outra pessoa recaí na própria pessoa amada, que nos seus gestos, palavras, pensamentos e acções conferiu permissão a que a outra pessoa ou ser - podendo até ser um animal de estimação - o dedicasse aquele sentimento de amor.

O amor pode ser entendido de diferentes formas, e tomado por certo enquanto é um sentimento, dessa forma é abstracto, sem forma, sem cor, sem tamanho ou textura. Mas é por si só: o sentimento em excelência; o que quer dizer que é o sentimento primário e inicial de todo e cada ser humano, animal ou qualquer outro ser dotado de sentimentos e capacidade de raciocínio natural.

Todos carecem de amor e querem reconhecer esse sentimento em si e nos outros, não importando idade ou sexo. O amor é vital para as nossas vidas como o ar, e é notoriamente reconhecido que sem amor a criatura não sobrevive enquanto o amor equilibra e traz a paz de espírito quando é necessário.

in wikipédia

Significado: Paixão

A paixão é uma emoção de ampliação quase patológica do amor. O acometido de paixão perde a sua individualidade em função do fascínio que o outro exerce sobre este. É tipicamente um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio.

Pode-se dizer também que paixão é algo muito mais passageiro que o amor, pois, sendo uma patologia deste, com o passar do tempo e sendo rompido o véu da idealização do outro, cai-se na realidade, transformando-se a paixão em amor, ou nada restando do sentimento afectivo. Estudos de psicologia dos sentimentos indicam que o estado de paixão muito dificilmente ultrapassa os três anos.

O sentimento exacerbado entre duas pessoas, é um exemplo de uma paixão. A paixão pode ultrapassar barreiras sociais, diferenças de formação, idades e géneros. A paixão completamente correspondida causa grandiosa felicidade e satisfação ao apaixonado, pelo contrário qualquer dificuldade para atingir essa plenitude pode trazer grande tristeza pois o apaixonado só se vê feliz ao conseguir o objecto de sua paixão.

Existem pesquisas científicas nesse âmbito, que mostram que a paixão, apesar de intensa e arrebatadora, é um sentimento passageiro. Estima-se que a mesma não dure por mais de quatro anos. Adolescentes estão mais sujeitos a apaixonarem-se, devido ao pouco conhecimento do mundo entre outras coisas, o que não significa que pessoas de maior idade não estejam passíveis de tal sentimento. O que ocorre é que a pessoa adulta, por ter maior conhecimento do mundo, por ter vivenciado maiores experiências, não estará tão sujeita a perder a razão e deixar-se dominar pelo peso do sentimento.

A Paixão resume-se num sentimento de desejar, querer, a todo custo o calor do corpo de outro ser. Cria-se uma necessidade de ver e tocar a pessoa pela qual se apaixonou. É um vício que debilita a mente de forma a focar somente para a pessoa cujo seu pensamento está. E qualquer outro pensamento é momentâneo e irrelevante para o apaixonado.

A paixão é pura arte! Assim como contemplamos um quadro - queremos vê-lo. Quando contemplamos uma obra artística plástica - queremos tocá-la. É uma dança de sombra e cores que percorre pela beleza da pessoa que está formada no seu subconsciente. Tu és envenenado com uma espécie de sedante que leva a ti todo o detalhe da pessoa: olhos, boca, nariz, orelha, como sendo perfeito. Mesmo embora não seja, pois você está sedado. A Paixão embora seja mais activa e romântica do que o próprio amor, não significa que é melhor a este. A paixão é um encanto passageiro, enquanto o amor é algo que se solidifica com o tempo (será!?), e nunca mais pode ser quebrado. Já a paixão, não há como se solidificar, eternizar.

in wikipédia

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O carinho de uma amiga por um documento de word...sem palavras ;)

Aprendi....que ninguém é perfeito
enquanto não te apaixonas.

Aprendi....que a vida é dura
mas eu sou mais que ela!!

Aprendi que...as oportunidades nunca se perdem
aquelas que desperdiças... alguém as aproveita

Aprendi que...quando te importas com rancores e amarguras
a felicidade vai para outra parte.

Aprendi que...devemos sempre dar palavras boas...
porque amanhã nunca se sabe as que temos que ouvir.

Aprendi que...um sorriso
é uma maneira económica de melhorar o teu aspecto.

Aprendi que... não posso escolher como me sinto...
mas posso sempre fazer alguma coisa.

Aprendi que...quando o teu filho recém-nascido
segura o teu dedo na sua mão têm-te preso para toda a vida

Aprendi que...todos querem viver no cimo da montanha...
mas a felicidade está durante a subida.

Aprendi que... temos que gozar da viagem
e não apenas pensar na chegada.

Aprendi que...o melhor é dar conselhos só em duas circunstancias...
quando são pedidos e
quando deles depende a vida.

Aprendi que...quanto menos tempo se desperdiça...
mais coisas posso fazer.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 18 de janeiro de 2009

O Sentido da Vida

"Desistir é mais fácil do que lutar, se fosse fácil não teria graça..." ;)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Conheci a Garra de Viver por saber Cair ;)



TENHO SEDE DE LUTAR POR MAIS E MELHOR....

VIVER UM DIA DE CADA VEZ É UMA ARTE PRODIGIOSA

Frases Soltas



O QUE NÃO NOS MATA TORNA-NOS MAIS FORTES

DOS FRACOS NÃO REZA A HISTÓRIA

DEPOIS DA TEMPESTADE SURGE A BONANÇA

SE A VIDA TE TROCA AS VOLTAS, INVERTE O ESQUEMA, LEVANTA-TE E ERGUE A BANDEIRA DE VITÓRIA

SER POLITICAMENTE CORRECTO NÃO SIGNIFICA TER CORAÇÃO

QUEM VIVE AS MÁGOAS NÃO SOBREVIVE NA FELICIDADE CONTAGIANTE

E TENHO DITO.....

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

Novelos de Lã

Quando a vida reproduz cruzamentos atrás de cruzamentos, pensamos que nos perdemos no horizonte. Mas, na verdade apenas estamos a conhecer o verdadeiro sabor do existencialismo puro. Quando o mundo nos troca as voltas e transforma linhas multicolores em novelos de lã demasiado confusos, o ser humano com toda a astúcia tem o prazer e a audácia de os separar, formando caminhos de linhas, cada um de uma só côr.
O mais importante dos novelos de lã é saber amá-los, é compreender que eles existem e que um dia vão ser desfeitos com eficácia e eficiência. Pois, a arte da vida é saber contornar as adversidades.

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Palácio da Pena marcou um momento da minha vida....

"O Palácio Nacional da Pena, também conhecido simplesmente por Palácio da Pena ou por Castelo da Pena, localizado na histórica vila de Sintra, representa uma das melhores expressões do Romantismo arquitectónico do século XIX no mundo. Em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal, sendo aliás o primeiro palácio romântico da Europa, construído cerca de 30 anos antes do carismático Schloss Neuschwanstein, na Baviera."
in wikipédia

Recordo com saudade da primeira vez que visitei este carismático palácio. Ali respirei o romantismo na sua verdadeira concepção da palavra, onde a pureza subjaz em cada recanto. Teria os meus 14 anos quando vislumbrei uma explêndida Janela Manuelina equiparada à do Convento de Tomar.
Neste palácio apreciei o simbolismo das cores e o encanto das salas. A arte manifesta-se no palácio por todos os cantos: na Sala dos Veados, actualmente utilizada para exposições; na Sala de Saxe, onde tudo ou quase é feito em porcelana de Saxe; O Salão Nobre, onde estuques, lustres, móveis e pedaços de vitrais do século XIV ao século XIX, e onde surgem vários elementos maçónicos e rosacrucianos; os aposentos, onde se identifica o grande baixo-relevo de madeira de carvalho quinhentista, ilustrando a Tomada de Arzila; a Sala Indiana, onde descansam admiráveis obras de arte, como o lustre em cristal da Boémia e o Cólera Morbus, um baixo-relevo de Vítor Bastos; a Sala Árabe, que expõe algumas das pinturas de Paolo Pizzi, e as pinturas em pratos do rei-artista, numa outra sala.
No palácio da Pena subjaz um encantamento emblemático, onde histórias de amor de outrora se desenharam por entre as brumas daquele arvoredo incandescente. Lembro-me de cada recanto, cada tecto, as mobilias tipicas da época e a mitologia presente em cada escultura.
Depois da visita ao Palácio da Pena construi um trabalho magnifico pela madrugada fora....e mais uma vez a escrita sempre presente. Foi um trabalho que me deu muito gozo desenhá-lo por entre as letras que sempre coexistiram em mim. E graças à minha grande professora de Português do Ensino Básico ganhei um amor muito especial à escrita e à arte.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Poema de Zara.....e daqui nasce a minha "graça"

. Diz "huma tradiçaõ" que o nome de Abrantes se encontra

ligado à história da moura Záhára. Por boas ou más venturas.

. Ao autor não interessam as crenças, nem as factualidades.

. Os mistérios, sim. Ou a poesia, se quiserem.



. CITAÇÕES do bispo D. Fr. João da Piedade:

- "Hibrahim tinha huma filha donsella mui formosa, e

louçã, e gentil chamada Záhára..."

"... ou porque a belleza de Záhára o coraçaõ lhe ferira,

ou porque ella tinha feiço~es do rosto mui parecidas

com hum retrato da Virgem Nossa Senhora dos

Afflitos, que sua mãi lhe havia dado á hora da morte,

e que elle com muita devoçaõ trasia sempre consigo,

e havendo já per veses sonhado, que ao escalar os muros

de hum Castello, salvaria huma Donsella com cuja ca-

saria, julgou agora ver em Záhára a Virgem dos seus

sonhos".

"... e buscou per todos os meios honrosos ganhar o

coraçaõ de Záhára que ello naõ podia esquecer".



ZARA infere do tempo que aqueceu misturado no delírio real.

A sugestão dum nome no corpo anuncia uma lente que deixa o olhar

tranquilo e luminoso.

Título e memória.



" Le poème n'est pas un mécanisme de mots - il est un organisme ".

PIERRE GARNIER









Z

Nuvens azuis,

rio branco.

Alfabeto de flores

com sol verde pendurado nas janelas.



Raíz de pedra,

torre.

Imagem de quem nasce

no horizonte.



Alguns pássaros,

passos de gente.

Na estrada, pelo tempo,

vento lento, em castelo.



Mais côr leve,

chão de avenca e ázimo coração.



Uma tesoura feita de lâminas e água.




Monumentos de azulejo,

fáceis troncos arvóreos

qual misto de mármore

para o mar correndo.




Quartzo,

cal,

sombra,

sonhos.





Quem diz a ternura dos corpos

diz o inverno, essa mistura

de malvasia e amor,

de soturno jardineiro branco.







É pelas estações que se conhece a idade.



Talvez o rumo da história nascesse

antes de morrer

o que nas ruas tem a fala da memória.





Era um alto átomo, a vida

em canção,

e ouviu-se contar uma lenda,

multiplicada, quando eu passava no jardim.







Falo duma cidade,

antiga caixa de mortos e lêndias.

Hoje interminável

alegria,

glicínias.






Vou dizer que ao longo dos anos

a trovoada nasce

sobre um monte de casas

quando o verão aquece as serras.

Vê-las daqui cheias de chumbo

com riscos de lume na tela

e ah os estrondos

de cair o inferno.

Uma cidade treme por esquecimento

põem-se as luzes por cima das florescências

os homens são do tamanho das portas,

interminável o rio e o seu sopro.




Da areia falo

que no cofre das camionetas

um risco se deixa molhado

de peixes, por nascer, ao longo das estradas.




Antes escrever a palavra largo,

as artérias multiformes, montras,

e o povo porque não

com enxada e enxó.

Explica-se depois o sol.

Havia sempre uma floreira

ao lado duma mesa,

o convento de arcos.





Nesta dança cercada,

- a magia.

Imagem à beira de acontecer

o mistério do céu.





Mas esta cidade

por amor se perdeu, em Zara,

uma mulher.





As ruas nunca abaixo

acima se afirmam;

com gente à vida, nos parapeitos.



Nelas prendo meu acto

e minha âncora,

meu barco Tejo abaixo até ao tempo.






Varanda de ver o infinito,

o passo lento do para lá depois,

uma pausa, uma igreja,

a peleja dos dias intermináveis.





É da colina que eu vejo a cidade

ao subir a serpente.

E como de flores se veste um corpo de terra

resistindo no centro temporável.





Oh que de árvores

oh que já de cimento

ó que sinto

ó o ardor.





Vê-se daqui o sul,

o sol todos os dias ainda quando chove.

Há mártires pelas ruas,

o sossego numa navalha pressentida.





Divido o som duma cidade: entre:

este e este.

E qual deles ganha forma?






Falo-te em sílabas não imagináveis,

soletro o dorso do teu nome e recuso escrevê-lo.

Uma terra começa ao longo duma palavra

e significa.





Volto atrás porque não há árvores,

há corpos;

atrás porque não há nomes,

há sangue.





Vocês sabem os poemas de cor

e a côr,

vocês sabem a coragem,

mas dos nomes das ruas é que eu gosto.





Ó cidade porque te trato

e retrato por tu

em português?





Deixemos que um dia

te cravassem algumas espadas

e gravassem a imagem da tua honra,

deixemos.





Que vem da terra que não seja

quente?

Que vem da chuva senão a terra

molhada

e o seu aroma?



Que mistério renasce no relâmpago?

Que luzes queimam?

Que almas circulam?



- Como os vidros nos colocam contra nós!





Que texto é infindável?

Que vida se cumpre?

Que de teus olhos, cidade,

se viaja para lá entre longe?




Mantenho amar-te no que não sei.




Por vezes saio dentro duma concha

e a pérola

rescende

como se comesse

a primeira palavra do mundo:

os orégãos,

a ostra,

um certo visco branco,

vinho inesquecível

da videira inebriante.





Mais uma vez quanto quente

te exaltas e deitas e estremeces.





A frescura incendeia esta cidade,

o brilho do lume vem do impenetrável

sofrimento,

acresce a água por de debaixo

dum imenso véu de espuma.





Asperge-lhe uma flor,

um grande enorme magma.





Diria que na rua da barca

deste inferno

nasceu uma planta

que guardo dentro da pele.





Que outrora por aqui aconteceu?

Que milhafres?

Que riscos se escrevem hoje

com passos à medida

depois?




Retrato uma inteligência,

o saber do sabor profundo dos perfumes,

a maneira duma rua

como dantes.




Por aqui as pessoas sentam-se à mesa

pedem refrescos,

multiformes santuários,

dançam

no mais dentro labirinto.




Quem escolhe a terra que escolheu?




- a terra, e só!






Nada existe sem um corpo de morte.

Uma toalha branca é este centímetro de cal.



Por isso nos deixamos adormecer

indefinidamente.





Dizia se pudesse um nome.

Escrevê-lo-ía, contornando.

Para voltar.




Mas é a palavra que 'se'

esconde.





Deixei o nome atrás,

a palavra que pego agora,

bem posta, Zara amiga,

no rossio onde cantamos

ao longo dum rio de moínhos.

É quando arreciadas as mulheres

se colocam no alto das antenas

para anunciar

a emissão duma tragédia

(edo, edis, edere, edi, esum).

lépidas, tão sápidas, eloquentes.

O mosto é uma incineração doce,

disse S. Miguel.

Alva, vega uma ave

no espaço do rio interminável.



A batalha de Tramagal

square.




Esqueço nomes por adormecimento,

desfaço-os, refaço-os e desfaleço,

que um texto é uma tarântula minuciosa.

Porém, afago as terras indizíveis

e amo-as certiciturnamente.





Eu disse

o inominado.





Das luzes sei apenas o céu,

um deus de terra longínqua

que cabe na mão da palma dum canteiro,

florescendo.




Quase apetecia escrever:

"A ti Tágide minha...",

mas recuso.



Que "não" nasce numa palavra branca,

correndo?





Todos os anos, pelo menos,

uma criança morre no Tejo

e eu que estive lá

vejo

flores a crescer na areia

e a sua multiplicação

pelos jardins fronteiros

daqueles que um dia

vão ver os filhos morrer no Tejo.



Coisas.




Zara, que hora escolheste

para me escolher?



É de ti que há anos falo

nesta viagem

pelas outras cidades.

Todo o amigo que morre

em ti o enterro

para que floresça.



Onde vais rio que encanta?



Azar nosso, Zara,

se de Ulisses os ouvidos

não tivéssemos.




Acho que as coisas são mais simples e belas

que os poemas,

as pessoas não.

"Acabei de achar uma pedra

para pôr no museu

da imaginação".





Uma cidade nunca deve ser convexa,

côncava talvez,

cavada no mais íntimo da raíz

que um poeta que passa

é de graça, como vês.




Então como vamos de exílio?

E emigração?

E de canção?

Ó Botto da marinhagem!

Ó Camões da abordagem!



Ó O'Neill em que ano

tu estiveste no Pelicano?



Foi?



Ele há coisas, oméssa.



Como se apagaram as luzes. E é noite.



Vestido de pedra, um actor entra em cena,

Ó Taborda arranca-te ao jardim

viaja



Cá estou nas palmas, na (pla)teia de mim,

neste papel, de te fixar até ao infinito



Ouves?

O orfeão?



É assim.




Falava eu, portanto, dos filhos

que morrem no Tejo

e não precisava de ir tão longe

que eles morrem com o motor

da morte natural.





Uma cidade se não tiver

acontecimentos pequenos

não é grande.



Verdade?





Olho o rumor das encostas,

as estrelas que caminham,

o som das fachadas tranquilas.

Olho os desenhos, a fábrica das estrelas,

a miragem concreta dos rostos;

pétalas roxas

no tapete azul da colina de Stº António.

Olho a cruz dos dias

e um "álvares", em ferro, sobre os astros,

perdidamente.

Olho magicamente

o mapa

do teu corpo.

Olho os jardins,

os lírios;

líquidos os teus líquenes,

as amoras.

Olho as casas, as pessoas,

o tempo que as envelhece

e o desconhecimento disso.




Olho já depois de tudo acontecer,

a vida,

a peregrinação.




Olho-te, enlouquecendo.




Abrantes, cidade sem Ribatejo

nem Alentejo,

sem Beira nem eira

Tens um coração

que quer se queira

ou não

Bate

Bate




Baaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaate.